Não ser preguiçosoNão sou a pes­soa mais preguiçosa do país, mas de certeza que não sou das mais dinâmi­cas. Diria que o meu “cére­bro de lagarto” — lizard brain — encontra-se muito bem desenvolvido.

Só à custa de muita — eu ia dizer força de von­tade, coisa que não tenho e, por isso, ainda bem que me retraí a tempo — manha e de muito ler e exper­i­men­tar sobre o assunto, con­segui chegar a um con­junto de medi­das anti-(troika ? não!)desleixo do meu tra­balho e do meu calendário.

E desco­bri pre­cisa­mente 10 — tive prob­le­mas a encon­trar a 10ª e ela estava bem debaixo do meu nariz, ahem, ouvi­dos!  -, 10 dicas para ti, meu razoavel­mente belo/a mas inex­pe­ri­ente e com­ple­ta­mente desleixado/a free­lancer. E com estas 10 dicas, vais ver que a tua moti­vação vai mel­ho­rar sub­stan­cial­mente.

Ser preguiçoso é uma doença, é uma aflição. Não ten­ham dúvi­das, é um estado físico de debil­i­dade. É algo psi­cos­somático e está inti­ma­mente lig­ado com a nossa fisi­olo­gia. É tam­bém, infe­liz­mente, um estado com um com­por­ta­mento semel­hante a um vício como a droga, o alcóol e o tabaco. Se ainda não pen­saram nisto, pensem com muita hon­esti­dade, porque isto quer dizer que a preguiça e a falta de von­tade ou falta de moti­vação têm de ser tra­bal­ha­dos todos os dias.

MotivaçãoEsta sen­sação afecta men­tal­mente, arrasta o espírito e a carteira para o fundo do abismo. Eu já pas­sei por isso e tenho a con­sciên­cia, sem­pre que me levanto, que este pode ser um dia em que não faço nada de jeito e, por isso, nem vale a pena começar.

Mas eis que começo a uti­lizar as min­has dicas quase logo a seguir ao acor­dar. E aí vem a primeira.

 

Dica nº 1 — Começa com o mais difí­cil e pro­gride em forma decrescente

E que tal esta dica como moti­vação ? Nem apetece lev­an­tar da cama, não é ? Mas se começar­mos com o mais difí­cil, o resto do dia vai ser “amen­doins”, certo ? Nor­mal­mente, acordo às 7h da manhã, se não me tiver deitado muito tarde no dia ante­rior, e preparo-me para fazer o mais dífi­cil — treino matinal.

Para alguns isto pode ser fácil, ou pode ser prazer, ou pode ser o dia-a-dia no tra­balho — para mim é doloroso. Assim eu começo o dia a treinar — seja natação, cor­rida ou exer­cí­cios no pátio, procuro con­cretizar esta parte mais dura do meu dia a dia e obtenho logo um 2 em 1 — trato da minha condição psi­cos­somática e a minha fisi­olo­gia (bem como da minha saúde) e elim­ino um dos meus pon­tos mais bicudos.

Este meu caso é pecu­liar, por que estou sem­pre em íni­cios de treino — ou porque me deito tarde por causa do tra­balho, ou porque chove ou etc. Acred­ito que agora no iní­cio da Pri­mav­era e após 21 dias con­sec­u­tivos, esta situ­ação deixe de ser o mais difí­cil. Mas logo a seguir fare­mos o que é mais com­pli­cado de seguida e etc.

O sucesso das tare­fas difí­ceis serão injecções de adren­a­lina nas tare­fas seguintes, que se tornarão mais fáceis por causa disso.

 

Dica nº 2 — Planeia sub­sti­tu­ição de recompensas

Isto assim dito é muito pouco elu­cida­tivo, mas se pen­sar­mos num pro­jecto com­plexo e cuja rec­om­pensa só vem no final de 4 ou 5 meses, só este pen­sa­mento, faz-nos adiar ao máx­imo o tra­balho neste pro­jecto. Isso pode descar­ri­lar de uma maneira muito pouco saudável.

Assim, o ideal é plan­ear sub­sti­tu­ição da rec­om­pensa por tare­fas mais cur­tas com rec­om­pen­sas ime­di­atas. Por exem­plo, no final de um con­junto de tare­fas, um pas­seio pela praia — afi­nal, somos free­lancers para nada ?, ou um cin­ema com a cara metade. No final de uma sem­ana bem suce­dida, ao invés de pas­sar o fim de sem­ana a marte­lar código, que tal uma viagem pelas Beiras e aproveitar a boa gas­trono­mia portuguesa ?

Acontece-me com fre­quên­cia querer fechar rap­i­da­mente uma série de tare­fas até às 17h e ir fazer um pas­seio com a minha esposa e filha a S. Mar­t­inho do Porto. Ainda ontem o fiz :D .

 

Dica nº 3 — Mede e divulga o teu sucesso

Aquele enorme pro­jecto de 4 ou 5 meses, ainda se lem­bram dele ? Para aumen­tar a moti­vação, divi­dam esse enorme pro­jecto em mile­stones e cada mile­stone em várias tare­fas e pro­curem não ter tare­fas que excedam as 2 horas. Assim torna-se sim­ples de medir o sucesso do projecto.

Estão a 10%, a 20% ? Con­seguiram con­cretizar uma tarefa com­pli­cada com um bril­harete ou um toque de génio. Divulguem no twit­ter, ou no face­book. Mesmo que ninguém comente, está doc­u­men­tado. Relatem à vossa cara metade. Rece­bam aplau­sos. Só este passo faz subir a moti­vação de querer fazer mais.

Quando um prob­lema par­tic­u­lar que me tem feito desmo­ti­var é final­mente que­brado, relato logo à minha esposa, que me dá os parabéns e me faz atacar logo a próx­ima tarefa. Tam­bém pre­cisamos das nos­sas cheer­lead­ers na bancada.

 

Dica nº 4 — Pres­siona as tuas projecções

Marca uma das rec­om­pen­sas ante­ci­pada como, por exem­plo, um jogo de fute­bol entre ami­gos. Mas não sem antes ter­minares as tuas tare­fas. Como o jogo de fute­bol está mar­cado, é necessário fazer um pouco de pressão para ter­mi­nar as tare­fas rap­i­da­mente de modo a lib­er­tar o tempo necessário para poder rece­ber a recompensa.

Recen­te­mente, usava os tem­pos das séries Walk­ing Dead e Spar­ta­cus para deter­mi­nar um ponto final no meu tra­balho. Como regra geral tra­balho até às 2h da manhã, tenho real­mente de com­primir espaço para poder finalizar tudo a tempo.

O facto de ser­mos free­lancers lib­erta um pouco a pressão de con­cretizarmos tra­balho e é um mau sinal quando não temos mecan­is­mos para voltar à linha novamente.

 

Dica nº 5 — Ini­cia o arranque da motivação

Todos os dias guarda duas ou três tare­fas impor­tantes ou semi-importantes, que não durem mais que 5 min­u­tos cada uma. Um tele­fonema, um email, algo bem finito e rápido. Quanto te sen­tires mesmo, mesmo em baixo e a moti­vação não parece mesmo querer apare­cer, reini­cia a tua chama da moti­vação com estes suces­sos rápi­dos. Ao gan­hares momen­tum com o sucesso da con­cretiza­ção das tare­fas, poderás atacar out­ras tare­fas mais árd­uas, ou mesmo a mais árdua, com novo vigor.

Mails e cor­recções de pro­postas é algo que eu deixo sem­pre para o dia seguinte, se foram envi­a­dos na tarde ante­rior, como tare­fas de kick­start para quando o meu estado anímico não é o mel­hor ou, quando a moti­vação está em alta, deixo para antes do almoço.

 

Dica nº 6 — Vai tomar banho

Não sei quanto a vocês, mas muitas vezes todas as dicas em cima não fun­cionam. A cabeça dói-me e sinto-me frustrado. Vou tomar um banho.

Durante este tempo em que procuro não pen­sar em abso­lu­ta­mente nada, lib­erto o stress, fico fresco, agradeço à mãe natureza e ataco o tra­balho com ren­o­vado vigor.

Como já referi acima, o nosso estado psi­cológico está inti­ma­mente lig­ado com o bem-estar físico. Se algo não estiver bem na cabeça, pro­curem soluções a tratar bem do corpo. São 20 a 25 min­u­tos que podem ren­der umas boas horas de trabalho.

 

Dica nº 7 — Suces­sos passados

De volta e com forçaQuando as coisas cor­rem mal — um cliente deixo-nos pre­ga­dos e não nos paga, um pro­jecto caiu em des­graça, o disco avar­iou e foi-se toda a infor­mação com ele, qual­quer coisa semel­hante — a von­tade de tra­bal­har foge como se tivesse sido açoitada. Instala-se um estado anímico muito pouco recomendável e acabamos por ficar muito desmotivados.

Está na hora de entrar com os trun­fos de glórias pas­sadas — aquele pro­jecto bem suce­dido, aque­las críti­cas sober­bas ao teu tra­balho, aquela press release de um pro­jecto feito por ti com destaque na imprensa nacional — tudo isso ajuda.

O fal­hanço faz parte e ocorre na dev­ida pro­porção à taxa de cresci­mento — quanto mais cresces, mais fal­has. Pode-se encarar o fal­hanço como medi­dor de sucesso — o nível de sucesso é pro­por­cional ao tamanho do fal­hanço a dividir pela propen­são de desistên­cia — enquanto não se desi­s­tir, o poder acu­mu­la­tivo do poten­cial sucesso fá-lo tornar quase tangível. E faz-te pegar nova­mente em armas.

Recen­te­mente tive um prob­lema semel­hante muito grande e demorei um pouco (2 dias) a recu­perar. Mas aqui o objec­tivo não é ver quem corre mais rápido, é quem cai e volta a correr.

 

Dica nº 8 — Enrique­cer a tarefa

A nossa moti­vação é uma por cada tarefa. É de um deter­mi­nado nível. Se a tarefa ren­der mais do que uma unidade de tarefa, esta torna-se mais valiosa e, por tal, torna-se mais rec­om­pen­sadora, aumen­tando o nível de motivação.

Como enrique­cer uma tarefa ? É fácil. Basta pen­sar quais as van­ta­gens em executá-la de deter­mi­nada maneira. Se eu con­seguir moldar esta tarefa e torná-la visível e parte de um port­fo­lio, já tem o dobro do valor. Se, ao concretizá-la, puder apren­der novas com­petên­cias, já tem mais valor ainda.

Se puder divul­gar a con­cretiza­ção da tarefa e ser aplau­dido pela mesma, 4x mel­hor. Quando uma tarefa rep­re­sen­tar rec­om­pensa finan­ceira, exper­iên­cia profis­sional e divul­gação mediática, pelo “preço” de uma sim­ples tarefa que no íni­cio trazia um certo nível infe­rior, a nossa moti­vação aumenta em proporção.

 

Dica nº 9 — Muda de cenário

Desloca-te, muda de cenário. Por hoje, tra­balha de manhã naquela esplanada que tem um fab­u­loso milk-shake. Ou uma tosta gigan­tesca. Ou uma fab­u­losa vista para o mar.

Por certo que a pro­du­tivi­dade não vai ser a mesma, mas se não estiveres moti­vado, a tua pro­du­tivi­dade não vai ser lá grande coisa, por isso mexe-te. É um dos motivos pelo que te tor­naste freelancer.

Quando nada parece resul­tar, pego no meu carro, portátil e pen e vou para S. Mar­t­inho do Porto. Abri­gado da chuva e do vento, vou para o Ocean Place tra­bal­har, ver o mar e de vez em quando debul­har uma iguaria.

 

Dica nº 10 — Corre con­tra a música

Há quem corra con­tra o reló­gio, eu pre­firo cor­rer con­tra a música. De um ou outro escol­ham, mas eu pre­firo a música. O meu estilo favorito de música para tra­bal­har é geral­mente rock ou algo mais pesado. Recen­te­mente tenho ouvido Kamelot que, para quem não sabe, é uma banda de metal melódico, com letras fan­tás­ti­cas e com bati­das poderosas. Com 3 a 4 min­u­tos cada canção, é uma questão de saber quanto se con­segue fazer nesse espaço.

 

É raro o momento, quando estou ao com­puta­dor, que não levo uns aus­cul­ta­dores aos ouvi­dos e, muitas vezes, mesmo sem música, é um kick­start  poderoso para entrar “na zona” e sentires-te moti­vado, muito pelo facto do condi­ciona­mento psi­cológico que envolve essa rotina — já sabes que está tudo pronto para trabalhares.

Com esta última, ter­mino o meu con­junto de 10 dicas ou téc­ni­cas que uti­lizo para me moti­var. Não quis colo­car aqui muita ambigu­idade no sen­tido de dicas que aumentem a pro­du­tivi­dade — não é a mesma coisa. Haverá um outro artigo para vos dar as min­has dicas de produtividade.

Pro­curei tam­bém não perder tempo em vos dar dicas que não sigo — a cena da visu­al­iza­ção e da mudança de tare­fas e etc, que podem avaliar noutros sites, podem ser dicas por­reiras para alguns, mas para mim não resul­taram muito bem.

Pro­curem com­bi­nar estas dicas quando as coisas tiverem com­pli­cadas de modo a recomeçarem com empenho.

Lembrem-se que a moti­vação, que é o impulso interno que motiva a acção, não tem razão de ser a não ser a causa final — a acção. Não inter­essa o que motiva a acção, desde que a acção ini­cie. Isto para dizer, por mais estúpido que possa pare­cer, que o que vocês fazem para ini­ciar a acção, ridícula que possa ser, se fun­ciona, fun­ciona. Desde que a acção comece!

Bons pro­jec­tos!

Um abraço e tudo de bom,

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