Refém profissional… ou Refém da minha própria ingenuidade, pode­ria ser outro título deste artigo.

A ver­dade é que a grande parte da culpa é minha.

Não vou ser pago uma grande quan­tia por tra­bal­hos efec­tu­a­dos, incluindo equipa­mento que eu próprio instalei dev­ido a um cliente caloteiro.

Como se chegou a este ponto ?

Uma história pes­soal sobre este caso. Já tra­bal­hava com este cliente há mais de 7 anos. Começou com uma apli­cação interna em tec­nolo­gia WEB e, mais recen­te­mente, em Agosto, tomei conta do seu par­que informático.

Após resolver alguns casos bicu­dos e ver­i­ficar que a estru­tura era extrema­mente frágil, sug­eri uma ren­o­vação de equipa­mento, através de uma pro­posta, em finais de Setem­bro. O ger­ente, na altura, man­i­festou von­tade de adju­dicar a pro­posta, mas dado ao momento não tinha a disponi­bil­i­dade de adju­dicar ime­di­ata­mente a mesma.

Ora, com a con­fi­ança dos 7 anos de colab­o­ração, voluntariei-me (grande erro!) de finan­ciar o equipa­mento, facil­i­tando o paga­mento do cliente em 4 tranches. Estava extrema­mente con­fi­ante dado ter a con­fir­mação da total sat­is­fação de todos os empre­ga­dos do meu cliente, sejam quadros téc­ni­cos como quadros superiores.

E assim foi. Ape­sar de exi­s­tirem paga­men­tos de avenças de manutenção em atraso, resolvi pagar o valor total do equipa­mento (mais de 7 mil euros já com iva!), em que a fac­tura foi em nome do cliente (outro erro!). Fize­mos a insta­lação de tudo, que acabou por ser bem maior o valor do que foi estip­u­lado. A insta­lação do equipa­mento foi rel­a­ti­va­mente sim­ples; o prob­lema foram as apli­cações anti­gas, os equipa­men­tos não sub­sti­tuí­dos (impres­so­ras de talões, entre out­ras) e as con­fig­u­rações das políti­cas de grupo. Algo que ini­ciou em Out­ubro, foi final­izado em Dezembro.

Antes do final do ano(no dia 30), foi-me pedido, por parte da direc­to­ria téc­nica, uma alter­ação na apli­cação, a qual eu efec­tu­ava manutenção, que impli­cava que eu pas­sasse o fim do ano a pro­gra­mar. Emb­ora estes pedi­dos à queima-roupa eram rel­a­ti­va­mente comuns, a con­cretiza­ção das mes­mas eram a maior razão de sat­is­fação do cliente e, emb­ora cus­tasse bas­tante, resolvi aceder. Para além disso, tinha o valor da insta­lação e con­fig­u­ração do par­que infor­mático ren­o­vado bas­tante infla­cionada que que­ria debater, e gostaria que exis­tisse a maior boa von­tade nesse aspecto.

O primeiro sinal de alarme surgiu no iní­cio do ano. Já sabia em Dezem­bro que a gerên­cia ia mudar. Não sabia é em quanto perigo eu estaria. Na primeira reunião que tive com a nova gerên­cia, o tra­balho pedido pela direc­to­ria téc­nica, e que me levou a perder parte do ano novo, foi sumari­a­mente dis­pen­sado, sem apelo nem agravo, e sem qual­quer agradec­i­mento. As especi­fi­cações estão erradas, foi o vere­dicto final.

O debate do tra­balho de insta­lação teve, obvi­a­mente, um des­fe­cho rel­a­ti­va­mente neg­a­tivo. O valor da insta­lação aceite foi pouco mais do valor pre­visto, deixando-me orig­i­nal­mente no ver­melho, face ao paga­mento dos meus colab­o­radores no pro­jecto. Esper­ava mais com­preen­são face à qual­i­dade do tra­balho, mas tal não foi assim enten­dido. Para além disso, fui tratado como um burlão (algo com­ple­ta­mente novo para mim, face ao tra­balho desem­pen­hado em 7 anos de colab­o­ração), só pelo facto de a fac­tura do equipa­mento, em nome do cliente, não pos­suir o respec­tivo recibo asso­ci­ado e já ter sido pago à minha pes­soa metade do equipa­mento, e que mais nen­hum valor seria pago se não fos­sem apre­sen­ta­dos os reci­bos. Só agora recen­te­mente percebi que isso foi uma téc­nica psi­cológ­ica para eu apre­sen­tar os reci­bos sem rece­ber o restante paga­mento do mesmo.

Clientes com falta de ética são "customonsters", ou clientes monstro

Clientes com falta de ética são “cus­tomon­sters”, ou clientes monstro

Out­ros 2 erros cometi­dos foi a ausên­cia de con­tratos e das fac­turas dos val­ores em falta — o instinto de não pagar ime­di­ata­mente o IVA das mes­mas aquando estas são pas­sadas. Tudo isto me colo­cou mais perto do abismo.

Já em mea­dos de Janeiro, tinha pedido um mapa de paga­men­tos, após me ser pedido uma conta cor­rente dos val­ores em dívida (mais de 10 mil euros!). Neste momento, já pedi uma reunião sobre vários assun­tos, que foi con­tra­bal­ançado por um pedido da palavra-passe de admin­is­tração, o único reduto nego­cial que pos­suo e que ainda não acedi, e pelo qual estou agora a ser acu­sado de má fé.

Espero a qual­quer momento rece­ber uma noti­fi­cação de um advo­gado para a con­tin­u­ação desta novela.

Um abraço e tudo de bom,

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