Quando as coisas correm mal

Para além da crise, da falta de tra­balho e pro­jec­tos e da baixa do valor dos serviços, somos muitas vezes con­fronta­dos com clientes caloteiros e sem ética.

Pior do que isso, é quando existe uma viragem de 180 graus num cliente, e quando os acor­dos prévios são rompi­dos, com a única razão é não pagarem. Como pre­venir que estas situ­ações nos prej­udiquem ?

Esta a ocor­rer uma situ­ação pes­soal semel­hante, que eu vou escr­ever aqui, e está a ser um tram­bol­hão profissional.

Assim resolvi escr­ever sobre algu­mas medi­das que podem aju­dar a pre­venir estas situações.

1. Con­tratos

Con­tratos são a mel­hor forma de asse­gu­rar que os serviços presta­dos são acor­dos váli­dos para dis­putas judi­ci­ais, se elas ocor­rerem. Nos tem­pos que cor­rem, evi­tar usar con­tratos é uma com­pleta estu­pidez (pelo qual eu próprio me incluo!).

Uma van­tagem em Por­tu­gal é a liber­dade con­trat­ual que pos­suí­mos. Podemos acaute­lar várias cláusu­las, desde que estas não entrem em con­flito com a lei e, assim, poder­mos con­fig­u­rar situ­ações que nor­mal­mente não são comuns mas que, em acordo, facilitem o pro­to­colo de colaboração.

2. Relatórios aprovados

Sem­pre que é feito um tra­balho téc­nico, uma fase ou uma parcela de um pro­jecto, deve ser feito um relatório de tra­balho que deve con­ter dados impor­tantes para a fac­turação (fase X do pro­jecto, X horas con­tabi­lizáveis, etc)  e que este seja confirmado/validado e assi­nado pelo cliente. Esta assi­natura com­pro­m­ete o cliente com a aprovação do tra­balho. Uma cópia deve ser entregue ao cliente.

3. Fac­turação

Assim que o relatório é aprovado, é impor­tante enviar a fac­tura, mesmo que isso implique efec­tuar o paga­mento do IVA antes do paga­mento da fac­tura. Sem fac­turas, não exis­tem doc­u­men­tos que com­pro­vem a dívida da empresa.

4. Fases de pagamento

Em caso de tra­bal­hos lon­gos mas fini­tos, como pro­jec­tos, é impor­tante exi­s­tirem fases de paga­mento. Uma nota em espe­cial para a adju­di­cação, que deve con­tem­plar de 30% a 50% do valor do pro­jecto e que serve para com­pro­m­e­ter o cliente na boa exe­cução do pro­jecto. A mel­hor maneira de asse­gu­rar o cliente das nos­sas boas intenções é provas de tra­bal­hos efec­tu­a­dos ante­ri­or­mente, refer­ên­cias no caso do cliente ser um novo cliente e um con­trato que acorde que o tra­balho é efec­tu­ado pelo fornecedor.

5. Notas de dívida

Existe um doc­u­mento chamado nota de dívida que é um doc­u­mento que incluí o valor em dívida de uma parte a outra e que é assi­nado pela parte deve­dora. Dev­i­da­mente redigida, esta nota de dívida é uma prova judi­cial incontornável.

Em caso do cliente dese­jar a con­tin­u­ação do serviço após falha de paga­mento, é impor­tante que exista um doc­u­mento destes que com­prove a dívida sem som­bra de dúvi­das, caso o free­lancer deseje con­tin­uar o serviço.

 

Estes são con­sel­hos para mim mesmo, e espero que vá con­seguir aplicá-los para evi­tar come­ter mais erros nesta fase da minha vida profissional.

Espero tam­bém saber o desen­ro­lar da situ­ação judi­cial que se aviz­inha e, nesse sen­tido, tam­bém escr­ever para vos aler­tar de como se moverem nes­tas águas.

Um abraço e tudo de bom,

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