Durante 2 sem­anas e meia não tive inter­net decente, mas como hoje já vieram insta­lar o pacote, já posso respon­der aos comen­tários, emails e deixar um artigo.

Já estou a instalar-me na bela local­i­dade de Chão da Parada, um sítio calmo na fregue­sia de Tor­nada, con­celho das Cal­das da Rainha. De Lis­boa até cá é um pulo de 50 min­u­tos, mas demorei 2 anos e meio a tomar a decisão.

Depois de ter pesado todos os prós e con­tra finan­ceiros, profis­sion­ais e soci­ais, ainda assim a nível emo­cional encontrava-me apreen­sivo, a pen­sar mais nos aspec­tos neg­a­tivos da mudança, ou dos pos­síveis resul­ta­dos neg­a­tivos da mesma, do que nos aspec­tos positivos.

A per­cepção do risco é algo que nos condi­ciona imenso, não só a nível humano, mas prin­ci­pal­mente a nível cul­tural e social: a nossa própria história condi­ciona a nossa maneira de ser como povo.

Cheira-me que isto vai cor­rer mal!

O nosso sis­tema de resposta emo­tiva ao risco, um misto de inteligên­cia, instinto, raciocínio e o famoso “cheiro” (ex: “cheira-me que isto vai cor­rer mal”), já evoluiu para além de lidar com peri­gos sim­plis­tas… fome, lobos, valen­tões com mocas. É um sis­tema espec­tac­u­lar para riscos ime­di­atos e sim­ples, mas não é a nossa mel­hor fer­ra­menta para des­ob­struir através de ameaças mais com­plexas ou pen­sadas antes do tempo.

Por esta razão, mesmo que não este­jamos bem onde gostaríamos ou onde son­haríamos, o nosso sis­tema de auto-preservação diz-nos: “Deixa-te estar que estás seguro!” O prob­lema é que isto impede-nos de pro­gredir. E se quer­e­mos pro­gredir, temos sem­pre que colo­car alguma segu­rança de parte e rumar à incerteza.

Agora neste aspecto, não vamos sim­ples­mente atirar-nos de cabeça ao descon­hecido, pegando numa trouxa e numas roupas e seguir viagem. Há que plan­ear, fazer esti­ma­ti­vas, cal­cu­lar cenários pes­simis­tas e opti­mis­tas. O des­tino está algures no meio termo.

Um abraço e tudo de bom,

1 comments
AndreiaMoniz
AndreiaMoniz

“Deixa-te estar que estás seguro!”É verdade, é este pensamento tão falso que às vezes nos impede de avançar. Não é o pensar que estamos seguros, mas o medo de acabar pior do que já estamos. Nada como dar um passo em frente. Não recomendo a ninguém que o faça às cegas e voto nas redes de segurança, um pé de meia ou um núcleo de apoio.Boa sorte no novo destino.