No pas­sado dia 9 de Junho foi o primeiro jogo ofi­cial da selecção por­tuguesa no Euro 2012 frente à selecção alemã. Como todo bom por­tuguês que ama a sua pátria, eu sabia disto. Eu acred­ito que a maio­ria do povo por­tuguês sabia desta data impor­tante. Vivi e assisti com muita emoção e acom­pan­hei os dias ante­ri­ores e jogos de preparação, bem como os comen­tários e as entre­vis­tas e as reporta­gens. Alguém se lem­brou do 28 de Abril ?


Não duvido que a maio­ria do povo por­tuguês crê que acom­pan­har e apoiar a selecção por­tuguesa é de sobeja importân­cia para o ânimo por­tuguês, e ter dado uma tareia moral a esses malan­dros dos alemães era o grande objec­tivo. Se gan­hásse­mos, não duvido que tinha ido toda a gente para o Marquês.

Não é só na bola que nos batem, mas não é por falta de capacidade.

No pas­sado dia 28 de Abril, deu iní­cio o ciclo de con­fer­ên­cias “O Futuro de Por­tu­gal — Visões estratég­i­cas para as políti­cas públi­cas em Por­tu­gal”, com a coor­de­nação da Prof. Maria Engrá­cia Cardim, e com a orga­ni­za­ção do Insti­tuto Supe­rior de Ciên­cias Soci­ais e Políti­cas, o Cen­tro de Admin­is­tração e Políti­cas Públi­cas e a Fun­dação para a Ciên­cia e Tecnologia.

Nos últi­mos dias, vários tópi­cos têm rece­bido atenção do painel de con­vi­da­dos nas mais diver­sas áreas. A entrada no ciclo de con­fer­ên­cias é livre. No Euro não, muito emb­ora a trans­mis­são dê em directo.

Eu só soube deste ciclo de con­fer­ên­cias hoje pela manhã, às 10h00, na tele­visão do Sic Notí­cias. Caso con­trário, nunca teria sabido que tal exi­s­tiria, tal é o tamanho do valor mediático que este assunto extrai para os media por­tugue­ses. Num período em que o povo deve estar atento ao que se faz em Por­tu­gal, no domínio das políti­cas públi­cas, do que se pode­ria fazer e a grande difer­ença entre ambas, ninguém parece estar a prestar atenção. Os inter­esses pri­va­dos agrade­cem e o gov­erno, que opta por cam­in­hos menos cor­rec­tos, tam­bém. O povo queixa-se, mas não deve, pois não se informa, nem sabe do que fala.

Ser­e­mos todos cul­pa­dos da falta de saber ? Nem tanto, dado que demorei um bom bocado a encon­trar este ciclo de con­fer­ên­cias na Inter­net. Não só porque não está bem divul­gada, como pelo mar de con­fer­ên­cias que exis­tem em Portugal:

  • As artes e a crise económica: uma opor­tu­nidade para o ter­ceiro sec­tor — Link;
  • Con­fer­ên­cias AICEP — Por­tu­gal Global — Link ;
  • Ter­ceira con­fer­ên­cia anual de Edu­cação Finan­ceira — Link ;
  • Con­fer­ên­cia Inter­na­cional sobre Edu­cação — Link ;

Devo afir­mar que só pro­curei con­fer­ên­cias. Não pro­curei sem­i­nários nem work­shops que seriam out­ros tan­tos. Acho que dev­e­ria ser dado um relevo espe­cial a estas infor­mações e incen­ti­var forte­mente a par­tic­i­pação do público. Ofer­eçam bolin­hos, um prémio para a mel­hor per­gunta, tipo uma esta­dia no Algarve para duas pes­soas. Acho que só assim lá vamos…

Não admira por­tanto, que nos cafés, tas­cas e bares, sejamos tão bons treinadores de ban­cada, sabe­mos tão bem as car­ac­terís­ti­cas de cada jogador por­tuguês e, no entanto, a falar da econo­mia de Por­tu­gal e das várias políti­cas e activi­dades que são defen­di­das e con­tes­tadas, as opiniões regurgitam-se sem fun­da­men­tos. Assim é difí­cil con­cretizar políti­cas económi­cas tão boas como jogadores de fute­bol — e todos os grandes jogadores de fute­bol são os primeiros a sair de Por­tu­gal, exem­plo magno para os nos­sos jovens tal­en­tos de out­ras áreas.

Ficam os comen­tários plenos de espírito por­tuguês, que tanto dão para o fute­bol, como para a política: “Os próx­i­mos é que vai ser!”. Cá estare­mos para comen­tar de bancada…

Um abraço e tudo de bom,

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