Existe um cenário mundial risível do ponto de vista económico que faz jus à mel­hor comé­dia teatral pro­tag­on­i­zada por José Pedro Gomes num dos prin­ci­pais papéis. As pes­soas que con­seguem cap­tar todos os dados que estão explana­dos nas pági­nas dos jor­nais todos os dias não podem de deixar de ficar incré­du­los com a situ­ação. É engraçado e triste ao mesmo tempo, porque eu sou português.

Lembrou-se-me de fazer um cenário, uma analo­gia para o actual panorama económico, as decisões políti­cas e uma sala de aulas.

Por­tu­gal, Gré­cia e Irlanda ao Director!

No pre­sente ano lec­tivo quase todos cab­u­laram na cadeira dos sub­prime e dos cap­i­tais finan­ceiros. Foi uma desgraça.

No entanto, a Ale­manha tem fortes capaci­dades de apren­diza­gem. Sendo de ricas ori­gens, pouco sofreu mas teve de puxar os galões aos restantes alunos e inclu­si­va­mente tute­lar muita das expli­cações aos restantes, a troco de hon­orários futuros. A Ale­manha não pode deixar nen­hum destes alunos naufra­gar. Como é a del­e­gada de turma e prin­ci­pal expli­cadora, os seus rendi­men­tos provêem desta turma de alunos, bem como a sua grande prestação estu­dan­til. Aponta o dedo a Por­tu­gal como exem­plo, de quem não a vai deixar mal.

A França, fez parce­ria com a Ale­manha, numa ten­ta­tiva que não notassem na sua própria fraqueza nos estudos.

Por seu lado, a Itália foi igno­rando a malta enquanto pôde, num estilo de bad­boy. Lá foi obri­gado a renun­ciar à sua pose e colo­car um novo aluno no seu lugar. A Espanha acabou por afir­mar que ia estu­dar mais, mas que não exigis­sem muito dela, que tem o seu próprio passo, impondo um o seu próprio ritmo.

A Irlanda desde cedo assumiu os seus prob­le­mas e pronta­mente se pron­tif­i­cou a estu­dar desalmada­mente. Está a cor­rer rel­a­ti­va­mente bem e aumen­tou o seu rendi­mento. Os mel­hores alunos, Sué­cia, Noruega e Dina­marca, demar­caram a sua posição não querendo tute­lar os “irre­spon­sáveis” alunos do sul — e com razão, diria eu.

Dos 74 mil mil­hões, vamos pagar, só em juros, 34,4 mil milhões.

A Gré­cia foi o pior aluno, porque gozou o prato o ano inteiro e agora está a fazer bir­rinha. Levou toda a gente na berraria e até con­seguiu con­vencer os seus expli­cadores a cor­tar grande parte da matéria dada para o seu próx­imo teste. Não aumen­tou o seu rendi­mento, mas bateu o pé e, na ânsia de sal­varem a menina, acabaram por facil­i­tar. Não vai resolver o prob­lema de fundo, diria eu – não quer estu­dar agora e não vai querer estu­dar no futuro.

Por­tu­gal, esse pobre menino triste, vai acei­tando tudo porque foi apan­hado a cab­u­lar e está arrepen­dido. Agora, tem de estu­dar toda a lição a pulso, encostado a um canto, colocou-se a si próprio, orel­has de burro e vai mur­mu­rando para si mesmo: “Vocês vão ver! Eu vou ser capaz! Vou estu­dar isto tudo.”

Enquanto tudo isto acon­tece, o povo que com­põe este pobre menino triste, vai acei­tando ficar mais pobre, e a maneira que Por­tu­gal e a Europa encon­traram de sair­mos da crise, foi a desval­oriza­ção. Não da moeda, mas do valor do país e do povo.

Um abraço e tudo de bom,

 

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