Depois de um ter­rível 2011, nen­huma boa nova sobre­viveu à viragem do ano. Enquanto seria um bál­samo para a alma falar de um 2012 cheio de paz, ale­gria e pros­peri­dade — tudo pela com­petên­cia e clareza demon­strada pelos nos­sos líderes bril­hantes — como não sou de nen­hum par­tido, vou con­tar como acho o que vai acon­te­cer no futuro, com base na minha exper­iên­cia e dedução, bem como em muitas opiniões por­tugue­sas e estrangeiras.

A minha con­tínua inves­ti­gação sobre o futuro baseia-se num deses­pero de real­mente encon­trar alguém que refira, com dados con­cre­tos, uma luz ao fundo do túnel, que não seja de um TGV a vir con­tra nós.

Existe uma tendên­cia espe­cial­mente com­pli­cada que se aviz­inha para muitos países da zona Euro, e eu acred­ito que, quando acon­te­cer, vai ser a bomba! Eis os 12 mais do futuról­ogo Ricardo Rocha:

1. Saída do Euro dos PIIGS/Lei Mar­cial da Econo­mia: Dado o estado económico das nações em dívida, às várias notí­cias prob­lemáti­cas de prati­ca­mente todos os países, inclu­sivé da França e da Ale­manha mais recen­te­mente, eu acred­ito que irá acon­te­cer um colapso que já está a ser preparado — pensem em raciona­mento de ali­men­tos, falta de bens necessários, falta de medica­men­tos. Se pen­sarem o pior, não pen­sarão o sufi­ciente. Eu já até sus­peito imple­men­tação da lei mar­cial nal­gu­mas situações.

2. Man­i­fes­tações Globais mais vio­len­tas: Se o primeiro acon­te­cer, o segundo é o próx­imo passo. Ire­mos ver os gov­er­nos que defen­dem as cor­po­rações multi­na­cionais e os ban­cos a sofr­erem fortes con­tes­tações e a serem obri­ga­dos a inter­vir com força poli­cial sev­era e inclu­si­va­mente força militar.

3. Colapso do sis­tema finan­ceiro: Exis­tem muitas con­tas menos públi­cas com grandes déficits que ainda não foram anun­ci­a­dos. O actual con­texto sócio-económico que se man­tém com uma frag­ili­dade incrível, está sobre os fios de uma rev­olução que irá obri­gar os gov­er­nos a reverem as suas políti­cas, e vai implicar a der­ro­cada do sis­tema finan­ceiro imple­men­ta­dos desde o iní­cio do século 20.

4. Escape para as Zonas Rurais/Modo de Vida Sim­ples: Vai exi­s­tir um êxodo em massa da pop­u­lação para as áreas rurais, onde assi­s­tire­mos a um renascer da econo­mia primária, das com­modi­ties locais, da agri­cul­tura e do arte­sanato, das práti­cas sim­ples. Muitas pes­soas irão retro­ceder no seu con­sum­ismo e procu­rar um modo de vida mais sim­ples e mais sus­ten­tável, moti­va­dos pela falta de rendi­mento famil­iar e neces­si­dade de qual­i­dade de vida. A pequena indús­tria irá ressur­gir desta pro­dução primária e assi­s­tire­mos a um ren­o­vado tecido empre­sar­ial que assen­tará na resti­tu­ição do equi­líbrio do con­sumo interno e da econo­mia do país.

5. Casu­al­i­dade dos 60: Com o novo panorama económico, a “Sofisti­cação Económica” irá ser a nova moda, e irá inspi­rar pro­du­tos, moda, música, artes plás­ti­cas e o tipo de entreten­i­mento. Esta moda irá priv­i­le­giar a sofisti­cação a preços acessíveis para as mas­sas, enquanto que irá realizar novos e ainda mais excên­tri­cos pro­du­tos para as novas camadas ricas do hem­is­fério sul — Brasil, Índia (prin­ci­pal­mente), China e Rús­sia.
Este clima irá pre­ver uma provável regressão à nos­tal­gia dos anos 60 e ao culto de um certo aban­dono das coisas materiais.

6. Cerco dos Tec­nocratas: Após a eleição de dois tec­nocratas na Gré­cia e em Itália, a figura do nosso actual min­istro das Finanças cada vez mais apre­senta as car­ac­terís­ti­cas de um super primeiro min­istro das finanças, anun­ciando os casa­men­tos entre o Estado e os grandes inter­esses económi­cos. As fig­uras de proa na lid­er­ança dos países mais pare­cerão dita­dores ao serviço do poder económico, e quando um dia gritá­mos que pre­cisá­va­mos destes tec­nocratas para con­tro­lar o país, cedo percebe­mos o quanto perdemos em ter­mos de liber­dade e justiça social, ao ver­i­ficar que as medi­das imple­men­tadas só e sem­pre irão visar o con­tribuinte mais fragilizado.

7. Inter­net Acor­rentada: Este ano vai ser o iní­cio do fim da Inter­net livre. Não é só os Esta­dos Unidos que pre­ten­dem con­tro­lar a Inter­net: prati­ca­mente todas as potên­cias dese­jam con­tro­lar a infor­mação que entra e sai dos sen­ti­dos dos seus cidadãos. Os Esta­dos Unidos, como sem­pre, começaram a abrir prece­dentes na sua própria Liber­dade de Expressão e não tarda muito que, moti­va­dos pelo exem­plo, todos os out­ros gov­er­nos irão fazer o mesmo. Ire­mos assi­s­tir a uma luta temível, dos gov­er­nos e do povo. Em última análise, creio que irão criar um tipo de aut­en­ti­cação para val­i­dar quem está a aceder à inter­net, através de um qual­quer tipo de iden­ti­fi­cação, com a pro­posta que é demasi­ado perigoso não saber quem faz o quê na inter­net. É nova­mente a mesma história dos gov­er­nos a con­tro­lar a liber­dade dos povos que governam.

8. Con­sumo Interno/Fechem as fron­teiras: Foi necessário um pequeno grupo extrema­mente poderoso política e finan­ceira­mente para con­vencer o mundo a aderir à glob­al­iza­ção; irá ser necessário um grupo extrema­mente grande, extrema­mente ded­i­cado e moti­vado de gente unida num movi­mento, à escala mundial, para largar essa ideia.  Este con­ceito vai colo­car os instin­tos e a von­tade cria­tiva de uma série de indi­ví­duos par­tic­u­lar­mente tal­en­tosos con­tra o já aguardado e extrema­mente repres­sivo monopólio das cor­po­rações mundiais.

9. Sus­tentabil­i­dade: as alter­na­ti­vas energéti­cas estão já nas mãos dos pequenos; uma miríade de indi­ví­duos já real­izam o que as grandes empre­sas energéti­cas ten­taram por 1 cen­tena de anos con­tro­lar [e calar!]: ener­gia ren­ovável. Não só a elec­t­ri­ci­dade, como tam­bém o hidrogénio líquido adquirido da elec­trólise da água, que faz mover os novos veícu­los eléc­tri­cos, o gás metanol adquirido através do processo de queima da bio­massa, ou através da digestão anaeróbica bac­te­ri­ológ­ica da mesma, e o trata­mento de água — até de águas negras de esgoto — em água própria para con­sumo no espaço de min­u­tos. Este movi­mento vai ser com­bat­ido ponto por ponto pelos gov­er­nos que não abdicaram dos seus impos­tos sobre estes novos tipos de ener­gia e trata­mento de recur­sos, e pelas empre­sas que fornecem estes serviços a nível nacional e mundial.

10. Espelho das nações par­tido: Os ven­tos de mudança política estão nova­mente a soprar, e com força. Depois da Pri­mav­era Árabe e da grande con­tes­tação das eleições rus­sas, os países cada vez mais aderem à sua iden­ti­fi­cação cul­tural e, no meio destes movi­men­tos, é aberta uma janela de opor­tu­nidade para situ­ações que pre­vi­a­mente seriam con­sid­er­adas opções políti­cas absur­das: descen­tral­iza­ção rad­i­cal, secessão e até a dis­solução de nações, dando origem a um novo mapa mundial.

11. A era económica das Exper­iên­cias: Não é nova esta era, que já leva uns bons 3 anos em main­stream, mas a con­fir­mação da adopção é inescapável. Com a chegada da nova era na econo­mia, dos serviços cos­tu­miza­dos ao cliente, das parce­rias region­ais fomen­tadas pela opti­miza­ção dos recur­sos a nível de brand­ing e mar­ket­ing: das novas tec­nolo­gias, das redes soci­ais e a adopção dos ver­dadeiros seguidores, da sub­sti­tu­ição do mar­ket­ing de mas­sas, através do empurrar pela goela abaixo dos con­sum­i­dores via TV, pelo mar­ket­ing difer­en­ci­ado do trata­mento aos clientes ao fomen­tar o upselling e o direct-marketing dos próprios clientes. As empre­sas e os próprios países preferem-se pequenos. Small and Dif­fer­ent  é o novo lema.

12. Democ­ra­cia Directa: A pop­u­lação mundial está cansada da política do cos­tume e uma mudança está a ser procu­rada. O tipo de gov­erno em todas as suas cores políti­cas — democ­ra­cia, monar­quia, social­ismo, comu­nismo, etc — já não fun­ciona. O povo mundial está cansado das tro­cas de favores nos par­tidos políti­cos e da cor­rupção genérica das asso­ci­ações de indi­ví­duos influ­entes. Esta­mos a assi­s­tir, com alguma mod­er­ação ainda, ao ressurg­i­mento do indi­ví­duo político, do inde­pen­dente e ao voto directo do indi­ví­duo, priv­i­le­giando este ao voto no par­tido, semel­hante ao que acon­tece na Suiça. E resulta, não ?

 

Um abraço e tudo de bom,

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