De vez em quando é pre­ciso recar­regar as nos­sas bate­rias do stress diário e da con­stante labuta de gan­har o pão. Algo que aprendi muito cedo na profis­são de pro­gra­mador é que isto volta e meia “rebenta os fusíveis” e ficamos num estado em que temos de tra­bal­har 300% mais para man­ter o mesmo out­put de rendi­mento. Acabamos por estoirar o resto.

Nem sem­pre é fácil de detec­tar estes momen­tos, mas quando con­seguimos é altura de ir para fora… cá den­tro. Resolve­mos pas­sar um fim de sem­ana destes a relaxar no Hotel do Cara­mulo — só uma noite, mas que serviu para nos deixar pron­tos para mais uns meses de rotina de trabalho.

E cor­reu tudo muito bem, e no fim, quase que íamos tendo uma sur­presa muito desagradável…

…mas que nada teve a ver com o Hotel, que foi fenom­e­nal. Mas come­ce­mos pelo início…

No des­tino do Leitão

Saí­dos de Lis­boa já pelas 11h da manhã, fize­mos rumo a Águeda onde iríamos virar depois a Este. Poderíamos ter ido por baixo, mas quise­mos parar na Meal­hada e comer um deli­cioso leitão da Bair­rada, no Virgílio dos Leitões, lá pelas 13h30.

Saci­ada essa von­tade, fize­mos passo com des­tino ao Cara­mulo — indo por cima acabamos por descer a serra, com muitas cur­vas e con­tra curvas.

Chegada à local­i­dade, terra pequena, admi­ramos a con­strução de muitas das casas em pedra, e vagarosa­mente cheg­amos ao hotel, pelas 15h.

A chegada ao Hotel

Entrada aconchegante!

Ante­ri­or­mente, um sanatório, local nada aprazível, foi recon­ver­tido num hotel, gozando da fan­tás­tica local­iza­ção. A fachada alva e entrada larga con­vi­dava à entrada.

A tem­per­atura reg­is­tava 5º no iní­cio da tarde, mas no foyer, estava uma tem­per­atura muito agradável — aliás, ape­sar do frio no exte­rior, não exis­tiu um recanto no hotel em que sen­ti­mos uma aragem ou frio de qual­quer espé­cie, o que é admirável.

A sim­pa­tia no atendi­mento e rapi­dez nas respostas demon­stra uma equipa bem preparada. Emb­ora o hotel estivesse com uma boa taxa de ocu­pação, foi-nos fornecido um quarto com vista para o vale — ape­sar de não o pedirmos, nem ter­mos pago pelo mesmo — e indicaram-nos que a ocu­pação do hotel ainda o per­mi­tia, mas que con­sid­erassem uma gen­tileza dado em out­ras alturas em que o hotel não o per­mita, não ser pos­sível sat­is­fazer essa querença, se não for reser­vado. Atónito, bem sur­pre­sos e muito sat­is­feitos, subi­mos ao quarto andar.

A vista do quarto!

O quarto era sin­gelo e era quarto duplo, e não quarto de casal (a reserva tinha sido mesmo de quarto duplo, por­tanto nen­huma sur­presa aí!). As camas apara­fu­sadas à parede — sem dúvida uma pre­caução para situ­ações desagradáveis que ten­ham acon­te­cido ante­ri­or­mente no hotel —  deixaram-nos um pouco desan­i­ma­dos, mas a vista era de tirar o fôlego — assim como a tem­per­atura na varanda!

A casa de banho enorme e bem dec­o­rada, uma tele­visão com canais de cin­ema foram boas sur­pre­sas. As camas peque­nas e o colchão fino não me con­vence­ram ini­cial­mente, mas que com­pro­vei mais tarde fornecerem um con­forto muito agradável de noite.

No Cara­mulinho

Querendo ir vis­i­tar o Cara­mulinho, arru­mamos rap­i­da­mente as coisas e nos deslo­camos ao local. As tem­per­at­uras a descer não adi­v­in­havam pêra doce, mas mais com­pli­cado eram as vio­len­tas farpas de vento que per­pas­savam pelas partes menos cober­tas do corpo — mãos e cabeça!

No topo do Cara­mulinho, esta­mos a 1.070 met­ros de alti­tude, e nota-se no ar rar­efeito — não quando esta­mos para­dos, mas quando começamos a subir as escadas.

 

A ar, menos car­regado de oxigénio, obriga-nos a uma pas­sada mais lenta e, na exper­iên­cia de ser­mos ten­ta­dos a saltar pelos degraus, nota­mos que rap­i­da­mente nos cansamos e a recu­per­ação é um pouco mais lenta.

À medida que íamos subindo, notá­va­mos duas coisa: uma, fazia muito frio e o vento cor­tava pela roupa como se não exis­tisse nada; dois, a cada passo, a pais­agem fazia-nos sen­tir os sen­hores do mundo. Era muito duro sequer tirar as mãos nos bol­sos  - tirar fotografias era muito MUITO penoso.

Chegado lá acima, a pais­agem era de cor­tar o fôlego — mas o frio cor­tava mesmo. Res­pi­rar e falar era o mesmo que meter farpas de gelo na boca, e não dava para ficar lá em cima muito tempo. O que me ani­mava é que, a seguir, Spa quentinho.

Des­tino ao SPA quentinho

Chega­dos ao Hotel e depois da exper­iên­cia con­ge­lante, água quente deixava-me muito muito con­tente. Um pouco intri­ga­dos em vestir os robes com os calções de banho por baixo, uns chine­los e descer no ele­vador, lá fomos, sem­pre na res­guarda — mas sem stresses.

Chega­dos ao piso onde estava o giná­sio, vazio, ainda andamos um pouco à procura do local cor­recto — provavel­mente dev­ido à fraca ocu­pação, notava-se a falta de pes­soal na zona do spa, do giná­sio e da piscina.

A piscina interna, obvi­a­mente quentinha, estava forte­mente pop­u­lada pelos casais e… respec­tivos fil­hos pequeni­nos e a óbvia parafer­nália de ruído que fazem — o que foi um pouco desmo­ti­vador. Ainda procu­ramos o jacuzzi, mas encontrava-se em manutenção, o que tam­bém foi um ponto fraco.

Acabá­mos por ficar pouco tempo na piscina e dirigi-mo-nos ao piso supe­rior do SPA, cuja recepção não tinha ninguém durante algum tempo, dado estar den­tro do SPA a arran­jar as coisas para os clientes ante­ri­ores. Final­mente entrá­mos e dirigi-mo-nos ao banho turco onde relaxá­mos no quentinho. Passá­mos à Sauna onde relaxá­mos mais um pouco e, ficando total­mente descontraídos.

Havia muitos serviços pagos no SPA, entre pisci­nas acti­vas, mas­sagens e out­ros mas o essen­cial era de cir­cu­lação livre e isso foi uma agradável descoberta — um ponto positivo.

Ainda ficamos 1 hora e picos no SPA e fomos para cima preparar-mo-nos para a refeição.

A refeição

Lev­a­dos por indi­cação de um colega de tra­balho, procu­ramos um restau­rante na vila, cujo atrac­tivo seria um restau­rante pequeno e acol­he­dor, com comida típica, e as mesas estarem ao redor de uma lareira.

Chega­dos ao local, tive­mos o desapon­ta­mento de ver as mesas todas ocu­padas e a espera ser de 45 min­u­tos, lá fora com graus neg­a­tivos, ou den­tro do bar, em baixo, onde se fumava a ver um jogo de fute­bol — per­spec­ti­vas muito pouco animadoras.

Resolve­mos ten­tar o restau­rante do hotel, sem saber muito sobre ele. Pes­soal­mente, os restau­rantes dos hotéis não me cos­tu­mam ani­mar — sem­pre pen­sei que o negó­cio do hotel é hospedagem e isso não se coad­una com o negó­cio de restau­ração. Mas face à situ­ação resolve­mos tentar.

Tive­mos de esperar um pouco dado ao grande movi­mento den­tro da sala enorme, o que foi uma boa indi­cação. A lumi­nosi­dade e a dec­o­ração estavam de muito bom gosto.

Demos o nosso nome à man­ager do restau­rante  e esper­amos um pouco no bar do hotel. Nota-se que a equipa do hotel está muito atenta, é acol­he­dora, sim­pática e prestável. O empre­gado de bar pronta­mente nos per­gun­tou se queríamos tomar algo, com um sor­riso franco nos lábios e nos olhos.

Foram-nos chamar dado terem mesa para dois e o atendi­mento, que me pare­ceu exce­lente, não desiludiu.

A fome não era muita e acabá­mos por pedir 2 sopas de caldo verde à nortenha e duas entradas - Trouxa de alheira salteada com gre­los e Morcela da Beira em leito de fatia de broa de milho com salteado de maça bravo de esmolfe — e não, não sabe tão bem quanto parece. SABE MELHOR!

Que delí­cia de refeição! Tive uma epi­fa­nia de sabor — dei os meus parabéns ao Chefe João Pereira e men­tal­mente agradeci aos deuses por aquele homem exi­s­tir e me prov­i­den­ciar tão boa comida.

Depois destas delí­cias, acabamos por aderir ao buf­fet de sobreme­sas, glo­riosa­mente suplan­tado pela Mousse de café suavíssima.

Acabada a refeição, já a banda do bar tocava ani­mada, um misto de swing e bossa-nova, que ondulava os pen­sa­men­tos. Seguindo o som, sen­ta­mos num con­fortável sofá do bar e ainda nos perdemos uma meia hora no bar, antes de subir­mos, já pas­sava da meia noite.

A tem­per­atura do quarto estava agradável e o con­forto nada aparente das camas peque­nas trouxe um agradável descanso.

Uma desagradável surpresa

Acor­dando já um pouco tarde para o pequeno almoço, despachamos tudo para o pequeno almoço ser a última activi­dade antes de faz­er­mos o check-out. Chegando à sala de ban­quetes, uma fila de gente esperava-nos. Cer­ta­mente não prepara­dos para esta avalanche, os 3 empre­ga­dos que geriam a sala do pequeno almoço eram fran­ca­mente poucos para as tare­fas. Tive­mos de aguardar algum tempo para ter mesa e para a reposição dos pro­du­tos, mas sem stress. Está­va­mos bem dispostos.

O check­out não teve sur­pre­sas — sem­pre agradável e a desagradável sur­presa se deu lá fora.

Após colo­car tudo no carro, dar a chave, barulho e .… nada! Outra vez e NADA! Não pegava! Ficamos com o coração aos pulos — o que seria ? Devo con­fes­sar que não sou grande mecânico, mas a ideia de ficar preso e fal­har com­pro­mis­sos que ainda tinha naquele dia não me animava.

Mais uma vez, insistindo e ufa! lá pegou. Era do frio. Tinha ficado 6 graus neg­a­tivos na noite anterior.

Con­clusões

Não tenho grandes admi­rações pelo frio e pelas ser­ras. Gosto mais de mar e de tem­pos mais quentes.

No entanto, fiquei muito bem impres­sion­ado pelo hotel, pelas pes­soas, pela refeição (prin­ci­pal­mente!) e pelo local, e seria bas­tante agradável lá voltar.

Já vis­i­ta­dos alguns locais, exis­tem poucos locais que eu diria que voltaria, uma vez vis­i­ta­dos. Face à qual­i­dade deste hotel, que daria a nota de 8 em 10 pos­síveis, eu facil­mente me deixaria con­vencer a fazer os 600 km para pas­sar mais uma noite no Hotel do Cara­mulo. Muito muito recomendado!

Bons des­can­sos e viagens!

Um abraço e tudo de bom,

3 comments
Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Viva Ricardo, é claro que não é o objectivo do blog, mas pessoalmente gosto muito. Os meus parabéns mais uma vez, Abraços, Jonathan Fontes

Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Olá Ricardo, Desde já os meus sinceros parabéns porque adorei conhecer um pouco mais da tua vida familiar e a tua mulher deixa-me que te diga é muito bonita fazem um bom par pelo menos "visualmente" (seja lá o que isto significa :P). Eu e a minha namorada ficamos muitos atentos a tua história e a tua aventura. Mas confesso que fiquei um pouco triste visto que passas-te por Mealhada quando podias ter chegado a Coimbra e apitavas para te conhecer! Bolas! ( Na brincadeira). Quero te incentivar a escrever mais sobre estes tópicos porque sinceramente gosto de saber um pouco de como levas a tua rotina (sem levares a mal). Os meus sinceros cumprimentos e abraços, Jonathan Fontes