O grande desafio
Portugal aproxima-se a passos largos para uma mudança estrutural no desenvolvimento da sua economia e da sua sociedade como geradora de riqueza. É inevitável que assim seja. Apesar de todas as manifestações, greves e toda a contestação, Portugal já há muito que deveria ter alterado a sua dinâmica social ao nível de como a sua economia funciona. A grande diferença é que vai ser necessário queimar uma ou mais legislações, um ou mais grupos de governantes, na tentativa de tentar mudar a orientação de um icebergue pela ponta — quando deveriam ter sido feitos esforços para orientar a sua direcção, liderando pela base, na educação dos seus cidadãos.
Com a globalização, a tecnologia que ajuda a homogeneizar todo o tecido económico do mundo, as mudanças que se estão a gerar são globais — e Portugal não está indiferente a elas.
O problema de Portugal
Este é um problema complexo, que compreende vários sectores e vários factores, mas cuja solução depreende uma mudança significativa no peso do Estado e como a sociedade vê o Estado hoje em dia.
Deixo-vos aqui um conceito: o Estado não suporta a Economia.
Sobre os funcionários públicos
Não há muito tempo, trabalhar para o Estado era uma fonte segura de rendimentos, bem como várias regalias. Políticas que surgiram na tentativa de atrair bons quadros técnicos e altos e que, sem dúvida, é uma táctica de concorrência eficaz, mas ficou deturpada pela cultura latina, dos tachos e das famílias e que engordou o Estado ao ponto onde chegamos. É compreensível que é injusto para as famílias que vão ficar sem as suas regalias e os seus rendimentos, encalhadas numa situação desesperante.
Porém, estes funcionários têm de entender um facto deveras simples: O Estado não gera riqueza.
Sobre o desemprego
Outro problema que é fonte de protestos e dissabores concretos dos jovens e dos recém dispensados é o desemprego. Num esforço sublimar de emagrecimento, o Estado e as empresas estão a tentar adaptar-se, quão rápido como possível, à falta do crédito recorrente de todos estes momentos económicos, e as pessoas estão zangadas com as empresas que as despediram, zangadas com o Estado que não arranja solução, zangadas com todos estes problemas que foram criados, não por estas entidades, mas por um movimento significativo de rectificação dos mercados.
O que o Estado deveria fazer, e não o faz correctamente, era aproveitar a estrutura do Centro de Emprego e efectuar uma análise de aptidões e competências, com base em testes psicológicos vocacionados para o efeito e determinar quais os gostos e os talentos em conjunto que cada desempregado tem, que pode ser uma mais valia nos mercados existentes — o Estado não gere carreiras.

Estes pilares não são sustentáveis!
Sobre os jovens
Outro problema é a política actual da Educação: cria técnicos e não cria cidadãos. Um dos meus grandes desafios enquanto cidadão foi a minha luta constante com a lei e com o fisco. Havia simplesmente uma miríade de coisas que eu não sabia e senti imediatamente que a culpa não era minha: era meu dever enquanto cidadão saber sobre a lei que me governa e saber os preceitos económicos que me definem, os meus deveres e os meus direitos, mas que nunca me foram ensinados. A partir do momento em que somos cidadãos, aos 18 anos, pimba — tens de saber imediatamente a lei que te governa e, se fores trabalhar, pimba novamente, com os impostos e com toda a parafernália financeira. Saímos do ciclo literário completamente despreparados para o que nos espera e essa preparação deveria fazer parte do currículo escolar. Cadeiras de lei e de finanças deveriam ser fundamentais no ciclo secundário, e a incitação à pesquisa próprio por parte do indivíduo — o Estado não prepara cidadãos.
Depois de tudo isto, é fácil concluir que o Estado é um icebergue, no qual só vimos a ponta — o Governo. Eu próprio senti na pele, várias vezes, em projectos do Estado, a dificuldade que os directores recém-nomeados, cheios de boas intenções, sentem ao tentar mudar o status quo instalado. Os funcionários públicos, na sua grande maioria, são avessos a mudanças, independentemente se isso ajuda ou não os cidadãos que dependem dos seus serviços.
Então o que irá acontecer é que o Governo vai mudar tudo de cima para baixo, só que o icebergue não pode ser orientado pela ponta.
Acerca da saída do Euro

Portugal e o Euro!
Todas estas notícias da Grécia e especulações sobre os tratados cada dia me fazem suspeitar do que irá acontecer: ainda alguém acredita que a Grécia irá respeitar este acordo ?
Com o abalão económico, os países têm de mudar as suas políticas para melhor se adaptarem aos mercados. Estes estão a ser conduzidos a velocidades cada vez maiores, e os novos “players” são os BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China.
Por muito bonita que seja a ideia do Euro e de uma Europa Unida, o conceito peca pela base. Uma mescla de países e de culturas tão distintas a tentarem orientar um rumo comum, criando um caminho de compromisso medíocre em resultados face aos entraves políticos, sociais e culturais. Nunca iria funcionar.
Uma construção Lego chamada EUROPA
Chamem-me cínico ou negativista, mas eu sinto a Europa como uma construção lego horizontal gigante, que eu agora quero mudar para uma outra sala do meu apartamento. Não posso simplesmente pegar nela e levá-la, pois não é pequena. A minha melhor solução é partir aos bocados e levá-la. É o que sinto que vai acontecer à União Europeia.
Assim que a Grécia cair, as apostas sobre Portugal cair também irão redobrar… e não resistiremos à pressão dos mercados. Vai ser um momento de grande confusão e eu auguro que será ainda em 2012 ou início de 2013. Os próximos passos da Grécia serão fundamentais.
Os governantes de Portugal já sabem o que vai acontecer. O Primeiro-Ministro já mudou o seu discurso de não precisar de renegociar o tratado, mas depois da queda da Grécia, vamos ficar sem ajuda possível.
Afinal qual é o grande desafio ?
É inevitável que precisamos de mudar o nosso horizonte. Quando Portugal sair do Euro, a situação irá ficar muito mais complicada. A desvalorização da moeda irá ajudar a manter as aparências para os menos atentos, que irão ficar apavorados em como “ficou tudo muito mais caro”. Esta medida servirá para nivelar os subsídios de desemprego, os salários e as reformas de uma assentada só. O grande problema é que o português ficará mais pobre.
A minha cunhada, para dar um exemplo, se não trabalhasse no Carnaval, não recebia. E não deveria ser assim ?
Temos, de uma vez por todas, de pensar que, se queremos mudar alguma coisa, temos primeiro de mudar nós mesmos.
Este desafio de mudança tem de ser superado, se não queremos entrar num buraco sem fundo. Vão existir sacrificados que, ou se levantarão e tomam as responsabilidade de gerar riqueza por sua conta, ou se manifestarão e comiserarão na sua própria pena.
Conclusão

Gráfico do Crescimento económico Português
Não pretendo ferir susceptibilidades de ninguém, e acredito que há casos que os cortes vão ser injustos. No entanto, quando não se faz o trabalho de casa atempadamente, o remediar há-de ser sempre um péssimo resultado.
Este artigo é provido de opiniões pessoais com base nas minhas ideias e na minha experiência. Não sou economista, não sou politólogo, mas sei que “em casa que não tem pão, todos ralham e ninguém tem razão.”
Será que diziam esta frase na casa do padeiro ?
E você ? Qual a sua opinião ?
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Temas: Dinheiro, Economia, Freelancing, Geral, Motivação, Produtividade, Projectos