Socorro! Estou sobrecarregado! Parte 2
Da última vez que escrevi deste tema foi o ano passado na primeira parte de Socorro! Estou sobrecarregado! e espero sinceramente que não tenham ficado espera da segunda parte para saberem como se vão desenvencilhar. Se estiveram, mea culpa. Não era minha intenção esperarem tanto tempo. Se não ficaram à esperam, podem comprovar as minhas dicas com a vossa realidade e a vossa maneira de lidar com este grave problema e serem a validação de qualidade do que vos passo agora.
Para os que estão agora nessa situação, espero que este artigo vos traga ideias de como poderem lidar com ela.
Na primeira parte comprovamos o problema. Vamos olhar então para uma das soluções, por etapas:
Etapa 1 — Tudo o que existe
Procure um sítio calmo, que não possa ser incomodado por 30 minutos ou mais. Tire um dia de férias, acorde cedo e vá para o centro comercial na zona de refeições (eu fiz isto no Vasco da Gama, em Lisboa, numa mesa perto das paredes de vidro, com o sol a banhar a mesa — foi refrescante!) onde geralmente não encontra ninguém que o possa incomodar. Traga três folhas e uma caneta. Inspire fundo e comece.
Pegue numa folha e anote tudo o que têm na vida actual: emprego, compromissos, objectivos, actividades, clubes, hobbies, reuniões, relações, tecnologia, bens. Tudo o que ocupa o tempo, espaço e energia mental. Tudo isto vamos colocar na mesa. Vão ser descartados se não sobreviverem às próximas etapas.

Folha branca, de preferência.
Etapa 2 - Quadro renovado — tudo aquilo que realmente usamos e amamos
Não estou aqui a aconselhar a abandonarem todas as vossas responsabilidades, dívidas da casa e do carro, o vosso emprego e ir viver como um eremita. Definitivamente esta não é uma opção embora seja aquilo que muitos anseiam poder fazer, em momentos de impulso. Mas imaginem uma alternativa, uma oportunidade de imaginar a vossa vida a partir de um quadro em branco. Imagine a vossa vida sem estar preenchida — retirando todas as rotinas e compromissos e começar do zero.
Pegue na segunda folha, branca, e olhe para ela fazendo a seguinte pergunta: o que pretende ter na sua vida ?
Lembre-se da máxima “less is more” — menos é mais. Concentre-se em poucas coisas, mas boas: Qual é a sua vida ideal? O seu dia ideal? O que deseja fazer, como trabalho, como lazer, como amor ? Imagine que não se encontra preso de maneira nenhuma, nem social, nem profissionalmente.
Depois de ter estes ideais na sua cabeça, escreva na segunda folha o que quer ser, ter e sentir. Procure aquilo que lhe vai no coração e seja honesto. Não coloque nada que tem de estar lá por razões outras que não sejam do seu querer: “Ah preciso disto porque senão o compromisso que falei com o fulano.” Esqueça isso! Não coloque o que é obrigado a colocar.
Etapa 3 — O Processo
Bom, o que acabou de escrever nas duas folhas, se fez tudo correcto, é o presente que tem e o futuro que deseja.
Olhe para a primeira lista e cruza-a com a segunda: espero sinceramente que a segunda folha contenha algumas das linhas da primeira folha e que não contenha mais elementos, senão vai-se sentir novamente sobrecarregado. Se a primeira é igual à segunda (o que duvido!), não foi totalmente honesto consigo mesmo, o que também não faz sentido.

Vida plena e cheia de energia.
Se tudo correr bem, tem de agora implementar uma “refactorização” da sua vida. Agora que sabe o que precisa de mudar, tem de criar um processo de alteração. Não vai naturalmente deitar fora a sua vida antiga e implementar de imediato a sua vida re-imaginada. Infelizmente, demora algum tempo sair de alguns compromissos e efectuar as grandes mudanças que serão necessárias para ter esta nova vida.
Mas tal pode ser feito, lentamente e gradualmente, ao longo do tempo. Nunca de um dia para o outro. Essa decisão irá permitir que tenha o espaço — tempo e espaço físico — para apreciá-las e fazê-las bem feitas.
Defina metas e etapas em que irá tratar daquilo que pretende retirar da sua vida. Há coisas que pode fazer já, que podem dar-lhe o estímulo necessário para continuar nessa rota: passar a sua casa a pente fino e mandar fora ou vender aquilo que já não deseja. Isso é algo que está no seu controle.
Também pode ligar ou enviar mail a pessoas para sair de compromissos, projectos, reuniões, trabalhos que não quer e absolutamente não necessita de momento.
As coisas mais complexas podem ser feitas nas próximas semanas seguintes. Arranjar maneiras suaves de sair de compromissos difíceis e deixar os restantes desvanecerem.
Há outras ainda que demoram ainda mais tempo: mudar de casa, de emprego, despachar o carro, mudar-se para uma nova zona, sair de uma situação de dívida. São situações complexas e não acontecem de imediato. É preciso tomar a decisão da mudança, estar atento às oportunidades e a persistência e a vontade de realizar a mudança.
Algo que precisa ter noção é um conceito simples e muito bem definido: só vai viver uma vez e mais vale vivê-la bem! Com sorte, tem uma média de 80 anos — 29,220 dias — 409.080 horas (retirando 10 horas para comidas e dormidas) para viver. E o relógio não pára. Por ninguém…
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