Acontece-nos a todos ter­mos oca­sion­al­mente dias maus. Pior é quando esta­mos roti­na­dos a ter dias maus! Já lhe acon­te­ceu ? Con­hece alguém com os sin­tomas ? Está tudo mal, a vida não presta, isto só tende a pio­rar, nada é bom, as coisas não mudam, yada, yada, yada. É do pior.

Eu sou um opti­mista por natureza… agora! Isto porque já fui muito do que em cima descrevo mas a mudança de pen­sa­mento, a viragem do torno não é fácil e tive de recor­rer a um pequeno truque men­tal para poder ter a minha viragem.

Um dos grandes desafios que enfrenta­mos no nosso dia a dia é lidar com os maus acon­tec­i­men­tos, sem que eles se tornem pen­sa­mento cen­tral na nossa vida. E se anal­is­ar­mos, acabamos por perder mais tempo em como lidar com os prob­le­mas, do que na sat­is­fação da solução. “Já tá resolvido ? Óptimo, que não se perca tempo. Vamos seguir já pro próx­imo.” e não se perde tempo sufi­ciente a admi­rar a res­olução do problema.

Isto foca a nossa rotina, o nosso sen­tido para os prob­le­mas, e acabamos por con­sid­erar a nossa vida como um grande ramal­hete de prob­le­mas. Não tarda que fique­mos com­ple­ta­mente car­rega­dos de ener­gia neg­a­tiva, face aos desafios que con­stan­te­mente encon­tramos e que neces­si­tam de res­olução e perdemos o con­texto e o sig­nifi­cado da vida, que a meu ver é ser feliz.

Assim, tal qual quando esta­mos a con­duzir e quando sen­ti­mos que vamos bater, é só nisso que pen­samos, somos fre­quente­mente atraí­dos pelos prob­le­mas e é nor­mal que, pas­sado um tempo, só temos prob­le­mas na nossa vida.  Se quer­ermos ter algum con­tenta­mento na vida, temos de equi­li­brar esta equação.

Então o que fazer quando esta­mos pre­sos no tipo de men­tal­i­dade neg­a­tiva que não nos traz nen­huma alegria ?

O meu truque men­tal é o seguinte:

1º Pen­sar em como pode­ria ser pior

O que não mostram nos filmes do super-homem!

Ok, então temos um dia em que acon­te­ce­ram coisas más. Eu, em primeiro lugar, penso em como pode­ria ser ainda pior. Não dev­erá ser difí­cil, dado que já esta­mos acos­tu­ma­dos ao tipo de pen­sa­mento neg­a­tivo. Como con­seguiríamos colo­car as coisas de modo em que o que acon­te­ceu neste dia pode­ria ser 2, 10 ou 1000 vezes pior. Equiparar as situ­ações faz então com que colo­que­mos a nossa sub­jec­tivi­dade em cheque, e faz-nos aperce­ber da ver­dadeira dimen­são do prob­lema ou problemas.

2º Pen­sar numa coisa que tenha cor­rido bem hoje

Vamos agora ten­tar ini­ciar a mudança de pen­sa­mento. Vamos pen­sar em algo que cor­reu bem, que é onde muitas vezes o nosso pen­sa­mento não está focado. Pense­mos num prob­lema que encon­tramos hoje a solução. Algo que tenha sido sat­is­fatório ou até me tenha feito con­tente. Esta ten­ta­tiva será tão difí­cil quão mau o dia nos tenha sido ou pare­cido, mas é real­mente impor­tante encon­trar esta. É pos­sível que nada tenha cor­rido bem ? É pos­sível sim, mas alta­mente improvável.

3º Pen­sar numa coisa que o tenha feito sor­rir hoje

Uma piada, um movi­mento, algo que tenha colo­cado um sor­riso na cara, ou um pen­sa­mento feliz na cabeça. Por mais fugidio que seja, existe sem­pre qual­quer coisa que nos tenha feito sor­rir, ou que nos tenha entretido, porque faz parte da natureza humana encon­trar um equi­líbrio entre a tris­teza e a ale­gria. Então quão mais o dia tenha sido hor­rível, haverá algo que nos tenha feito sor­rir ou nos tenha feito pen­sar em momen­tos agradáveis. Traga de novo esse momento à tona.

4º Pense em algo que o deixe orgulhoso

Penal­izado pelo talento!

Estes dias, quando tudo pare­cer acon­te­cer de maneira errada, for­mam um estado de espírito — todas as sobre­car­gas de sen­ti­men­tos for­mam um estado de espírito, algo como um padrão impresso e moldam a nossa per­son­al­i­dade. Fazer um curto-circuito nesse estado de espírito é a mel­hor maneira de que­brar esse padrão e dar origem à dúvida interna de que as nos­sas crenças — que de facto moldam a nossa real­i­dade — podem não ser exac­ta­mente verdadeiras.

Quando nos deix­amos abater por este estado de espírito, o nosso esforço anímico de recu­per­ação leva um “enx­erto” e torna-se difí­cil lev­an­tar. Uma das con­clusões que forçosa­mente começamos a for­mar é “eu não sou bom o sufi­ciente” ou “É isto que me espera o resto da vida” ou “nunca vou con­seguir mudar isto” ou “sou mesmo burro”, entre outras.

O curto cir­cuito neste estado de espírito é: “onde é que há algo neste dia ou nesta situ­ação, me faz lem­brar de uma coisa em que estou orgul­hoso ?” Pode ser uma per­gunta extrema­mente com­pli­cada (ou até ridícula!) de se colo­car mas exper­i­mente. O cére­bro é algo de extra­ordinário: emb­ora pense que é ridícula, assim que coloca a per­gunta, esta torna-se uma ordem para o cére­bro que a traduz em “procura nas memórias algo que tenha acon­te­cido semel­hante em que me sinta orgul­hoso”. Se não encon­trar semel­hante, vai acabar por vas­cul­har memórias onde nos sen­ti­mos orgul­hosos e isso vai criar uma mudança no estado de espírito.

 Conclusão

Com isto, não vamos tirar o valor do mau dia. Se foi um mau dia, foi um mau dia. O objec­tivo é ten­tar não auto-condicionar a nossa pes­soa em se iden­ti­ficar com este sen­ti­mento, sobre o perigo de todos os dias terem de ser maus dias para nos sen­tir­mos… nós mesmos.

Quando isso acon­te­cer, ui… aí sim será um gigan­tesco mau dia… e um cam­inho muito tor­tu­oso para se per­cor­rer no futuro.

Bons pro­jec­tos!

Um abraço e tudo de bom,

4 comments
Carla Pereira
Carla Pereira

Olá, boa tarde. Sem duvida um tema que merece uma leitura atenta.Nos dias que correm todas as ajudas para nos motivarem a "correr" atrás de dias felizes são bem vindas. Eu sou uma optimista por natureza, mas confesso que já fui mais, aliás bem mais. E só não digo que perdi essa minha qualidade ( para mim o optimismo é uma qualidade, uma ferramenta essencial ao ser humano) porque luto constantemente por nao me deixar afectar por situações negativas. Umas vezes esta minha luta é bem sucedida, outras nem por isso. Todos devemo-nos munir de "armas" que possibilitem ultrapassar os obstáculos que vão aparecendo. Além de todos os "truques" mencionados, para mim resulta "vasculhar" situações ocorridas no passado e que no momento da sua ocorrência pareceram-me de solução dificil ou até mesmo impossivel. Pensar nelas com esta distância por norma significa que de uma forma ou outra as consegui resolver ou contornar e seguir em frente. E muitas vezes ( pelo menos comigo) resulta ficar sozinha, nem que seja por umas horinhas. Sei que provavelmente o que vou escrever a seguir não será muito simpatico, mas muitas vezes estamos rodeados de pessoas com energias negativas, por pessoas que nos contagiam com o seu pessimismo, fazendo-nos "embarcar" numa espiral de negativismo e que acabam por condicionar as nossas acções. umas vezes agem sem maldade, porque estão sinceramente desiludidas e precisam de deitar fora tanta negatividade. Pessoas há no entanto que fazem da difusão do negativismo aos outros um modo de vida, já dizia a minha avó com a sua imensa sabedoria popular que " há mais quem nos queira mal, que bem". Os tempos que vivemos são dificeis, pelo que muitas vezes é bem mais fácil falar, ou neste caso escrever, do que agir, sigo por isso um conselho da minha irmã: "viver um dia de cada vez". Convém não esquecer que o Homem é um animal de hábitos, sendo por isso facil de perceber que podemos "treinar" o nosso cerebro para o positivismo e com isto nao quero dizer que os sinais de perigo sobre determinadas situações devam ser ignorados. A forma como respondemos a esses sinais é diferente quer estejamos pré-dispostos para responder e sobreviver a dias maus, ou estejamos formatados para nos sentirmos derrotados. O ser humano aprende mais quando erra e como tal quando sofre, do que quando está feliz e sai vitorioso, o que nao me parece nada bem :) Sinceramente tento contrariar esta tendencia, aprender com os erros faz parte da vida , mas esquecemo-nos de aprender com os acertos. De tão felizes e vitoriosos que nos sentimos, não paramos para perceber porque é que as nossas atitudes influenciaram aquele desfecho. Eu acho que é muito mais prazeiroso aprender nas "vitórias" do que com as derrotas. Esta é também um dos meus truques diários, quando as coisas correm bem, perceber qual foi o percurso que percorri que levou aquele desfecho. Quem sabe assim evito as lagrimas que sempre acontecem num dia mau? Votos de muitos dias felizes aos dois, Carla

Ricardo
Ricardo

Olá Carla, Sem dúvida um comentário positivo ;). Acho que atingiste alguns pontos muito importantes que vale a pena recordar: a nossa própria interligação com as pessoas, que tenham dias maus, podem realmente influenciar-nos. Especialmente se são pessoas próximas, temos de nos redobrar em positivismo, não só para nós como também para ajudar quem precisa de nós. É curioso também que, quando estamos sujeitos a cargas negativas constantes, torna-se um foco no nosso pensamento, nas nossas palavras e na nossa postura corporal. E também na maioria dos resultados que prevemos para situações que pensamos arriscar. Obrigado Ricardo Rocha

Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Boas Ricardo, Acho que vais querer saber como lido o meu dia mau certo ?! :D Portanto, pego na minha gata Nata ou Lua e falo para ela e converso com ela e tento pensar no que ela esta a pensar/dizer. Faz com que eu tenha um sorriso. Outra das maneiras que eu tenho é tentar lidar com a situação de frente e pensar, como aconteceu? porque aconteceu ? e como posso solucionar ?! Mas tenho um defeito sou muito ansioso e se fico a pensar muito nisso fico com enxaquecas e fico sem trabalhar 2 dias seguidos que é muito mau. Mas ao fim do 2º dia da ressaca já estou bom e consigo recuperar facilmente o trabalho perdido. Abraços do teu admirador do teu blog, Que tenhas um dia feliz! Jonathan

Ricardo
Ricardo

Olá Jonathan, É engraçado que digas isso pois uma das maiores virtudes de ter um animal de estimação (que seja interactivo, acredito eu!) é mesmo o factor anti-stress. Os meus dias maus são muitas vezes também minimizados com brincadeiras ao meu gato. Obrigado por partilhares os teus pensamentos e comentários :). Sem eles, o blog não teria vida. Grande abraço e mais dias felizes, Ricardo Rocha