Como evitar perder dinheiro com a saída do Euro
As notícias não param de chegar — a relação entre o Euro e Portugal pode estar prestes a chegar ao fim. A saída de Portugal do Euro até pode ser boa no longo prazo — eu até iria mais longe e diria que dessa maneira conseguiríamos recuperar a nossa autonomia financeira como política. De qualquer maneira, o curto prazo estaria, ou estará, directamente relacionado à perda de capacidade financeira e poder de compra dos portugueses, bem como numa atribulada maratona na burocracia portuguesa em normalizar a sociedade e as trocas económicas.
E o que pensam vocês irá acontecer se e quando abandonarmos o Euro ?
Caso não sigam as notícias que têm surgido, estas são preocupantes e vão na direcção deste problema:
- Dívida pública passa 110% do PIB e é a terceira maior da UE
- Saída da Grécia do euro seria precedente muito grave para a UE, diz Carlos Gaspar
- Passo em falso no acordo grego, passo em frente rumo à bancarrota
- Novos fundos à Grécia podem ser bloqueados
- Oito passos prováveis de uma possível saída do euro
- Portugal e Grécia devem abandonar o euro, diz Soros
- Voltar ao escudo pode custar 10 mil euros a cada português
- Loja em Lisboa ainda aceita escudos…
- Soares dos Santos: “Não sei se Portugal fica no euro”
Cenário de Desastre Económico

Espartanos pelo poço… E os lusitanos ?
Não há como saber se vamos mesmo abandonar o Euro — e provavelmente quando o soubermos será tarde demais. Uma sexta-feira à tarde, será dirigido um comunicado do Sr. Ministro das Finanças, afirmando que devido à continuada crise económica, à pressão asfixiante dos mercados financeiros, à falha dos esforços portugueses na sua credibilização junto dos mercados financeiros, às medidas draconianas de austeridade imposta ao povo português e ao recente semi-sucesso da Grécia em voltar ao dracma, a partir de segunda-feira, a moeda oficial de Portugal será novamente o escudo. A partir do momento em que este comunicado é lido, toda a qualquer caixa multibanco estará desprovida de notas de euro, só repostas com notas de escudo a partir de segunda-feira. Nesse fim de semana, ocorrerá uma corrida aos super e hipermercados, num delírio de consumo que será antecipado pelos mesmos, aumentando os preços — mesmo que no futuro só iriam baixar — para não perder mais valias sobre possíveis alterações cambiais.
Irá existir uma corrida aos bancos, na segunda-feira, só para verificarem que os valores em conta corrente são escudos e existirá um tempo de adaptação, que acredito uma semana, para a normalização da aceitação do escudo e cerca de 2 a 3 meses para a mudança de programas contabilísticos.
Eventuais desaires momentâneos serão um decréscimo no valor dos bens monetários portugueses, face ao euro, uma variação nos preços do consumidor (eu arriscaria para cima — até a distribuição normalizar e a relação procura/oferta determinar o real preço do produto) e até falhas na distribuição devido aos problemas burocráticos da moeda e da atribuição de créditos por parte das entidades bancárias.
As minhas presunções

Economista amador — um pouco bullish…
Acredito que os mais entendidos poderão encontrar outros problemas, mas estes, a meu ver, são os suficientes para pensar em como me precaver de situações como esta.
Com este cenário em muito — muitos dirão excessivamente pessimista — encarreguei-me de elaborar um plano para me precaver de possíveis complicações. Vou partilhar convosco algumas das minhas recomendações, no sentido, quiçá, de angariar possíveis comentários e melhorias de quem esteja mais elucidado.
Devo realçar, antes de continuar, que não sou economista, ou fiscalista, ou tenho qualquer experiência de carreira ou similar na área. Sou apenas um curioso deste tema, como acredito que todos deveriam ser para saberem o que fazer ao vosso dinheiro.
O que fazer então ? Possíveis alternativas!
Investir na bolsa — Fundos de metais preciosos

Agora e sempre… El dorado.
Mesmo antes de a crise começar em 2008, eu lia com frequência a newsletter bons investimentos (antes do site existir), por André Ribeiro, e já na altura ele avisava da bolha do crédito sub-prime e da forte presença que os metais preciosos estavam a apresentar, apesar de uma maneira discreta (com certeza motivada por operações covert de aquisição continuada pelos grandes — aqui entra a minha pequena teoria da conspiração!)
O rally do ouro e da prata tem sido constante estes últimos anos, e tornada bastante pública a partir de 2009, altura que sofreu um forte boom– nos últimos 2 anos subiu 100%. Com a grande instabilidade a verificar-se nos mercados de moeda, os metais preciosos continuam a ser uma boa aposta na bolsa de valores.
Têm aqui um pequeno artigo da Reuteurs que pode transmitir algum fundamento a esta questão mas eu aconselho a informarem-se mais, no caso de estarem interessados: Gold, precious metals rally as dollar slips
Investir no Imobiliário
Apesar de ser um investimento caro, o imobiliário está particularmente atractivo. É possível obter propriedades por valores obscenamente baratos.
Investir no imobiliário, para quem possuir capital, é um investimento sem risco. Com a liberalização das rendas, o mercado imobiliário saturado de oferta e os bancos a despacharem imóveis a preços inferiores ao de custo, é uma alternativa a contas-poupança sem atractividade. Independentemente da saída do Euro, algo que não desvaloriza são propriedades, que rapidamente reganham o seu devido valor no mercado.
Assim, se pensar no Imobiliário, terá à sua disposição os dois tipos de mercado. Mas atenção que o tipo de investimento mudou: neste momento, pensa-se no imobiliário como rentabilização do imóvel para o mercado de arrendamento nas grandes cidades, que aumentou imenso.
Inicialmente, o arrendamento proporciona dividendos constantes a um valor de manutenção mínimo. Devidamente organizado, é um passivo com possibilidade de acumular riqueza nestes tempos de crise. À posteriori, pensando em 5/7 anos, quando a economia se insuflar novamente de liquidez e a procura de casa própria aumentar, o valor dos imóveis trará um bónus de riqueza que poderá trazer-lhe a reforma mais cedo.
Alguns links a comprovar esta teoria:
Investir em Arte

Arte — para quem percebe!
Com os mercados cambiais em completa turbulência, o mercado de capitais imerso em oscilações tempestuosas todos os meios dias, os investimentos anteriores — dos metais, dos imóveis, da arte — ganham uma nova atractividade.
Pessoalmente é um mercado que pouco me atrai, dado não ter grande apetecência por arte, confesso. No entanto, é sempre um mercado a explorar, por quem tem a percepção, a visão e o gosto de possuir obras de arte, também pelo seu valor intrínseco e subjectivo.
Tem tido muita procura, este mercado. Recordo-me recentemente de vários leilões, um deles da Vista Alegre, e da alegria comedida do renascer do mercado nos olhos do leiloeiro entrevistado.
Link: Arte é alternativa de investimento em tempos de crise
Depósitos em Contas de Moeda estrangeira

Depósitos em moeda estrangeira — Franco Suiço, Coroa Sueca ou Norueguesa — é o que vale a pena.
Este tipo de depósitos já existem há algum tempo, mas com a crise tornaram-se um serviço relativamente comum. O objectivo passa pela segurança de uma moeda mais forte segurar as nossas poupanças e, quando voltarmos ao escudo, podemos reverter dessa moeda para o escudo.
O grande problema é que perdemos dinheiro nas duas transacções — na pior das hipóteses. Se constituirmos agora, por exemplo, um depósito em Francos Suiços, tecnicamente o que iremos fazer é converter os nossos euros em francos suiços, na esperança de assegurar um desastre de 20% de desvalorização no nosso dinheiro quando voltarmos ao Escudo.
Na conversão (compra da moeda) iremos perder dinheiro, dado que o valor de compra é sempre superior ao valor de venda. No entanto, pode acontecer que, face a todas estas notícias e se a Grécia sair do Euro, este fique fragilizado e o Franco suiço suba em relação ao Euro, e suba também a nível de rendimentos das nossas poupanças, quando formos trocar novamente. Pode acontecer que este cenário não se concretize, ou que demore algum tempo e o Euro dê provas de resistência, subindo em relação ao Franco Suiço — e perdemos algum dinheiro. Para além disso, quando e se voltarmos ao Escudo, teremos de trocar de Franco Suiço para o escudo.
Mas o importante que temos de ter em conta é: se não o realizarmos, passamos de Euros para Escudos e 20% do nosso dinheiro perde-se na passagem. E se isso acontecer, 20% é muito mais do que quaisquer valores de trocas que poderíamos fazer em 2 operações destas.
Link: Saiba se compensa investir nos depósitos em moeda estrangeira
Recomendações
As minhas recomendações pessoais para um possível cenário estão abaixo. Não se esqueça que, o objectivo principal é preservar o seu património, mesmo que isso signifique perder um pouco na troca. Na possibilidade existente de perder 20% ou mais das suas poupanças, é tudo uma questão de risco — vale a pena arriscar já perder 5% na expectativa de não arriscar perder 20% no futuro ? É uma opção sua.
Informe-se primeiro

Não sou financeiro, nem economista. Informe-se!
Está a vermelho por ser um sinal de alerta. Informe-se primeiro, duas, três ou cinco vezes com várias pessoas diferentes, antes de agir. Certifique-se que percebe bem como funcionam as coisas. Se não perceber, peça para explicar novamente de maneira diferente. Se não estiver totalmente certo do que vai fazer, procure outra pessoa ou simplesmente não invista nesse mercado. Esta recomendação é crucial para sequer pensar em mexer valores.
Diversifique
Aproveite esta situação para aprender, o que já de si é bem empregue, tanto tempo como dinheiro. Diversifique o seu património: imobiliário, depósitos poupança, depósitos moeda estrangeira, arte, ou que pretender, mas não coloque tudo no mesmo saco. Se o saco tiver um furo, ou se se afundar, estão ali todas as suas economias. Não é esse o objectivo.
Mantenha a dispensa apetrechada de alimentos enlatados e prazos dilatados

Encha a despensa!
Se este cenário macro-económico acontecer, irão também ocorrer episódios como falta de alimentos, falta de bens de consumo e subida inadequada dos mesmos. Para prevenir este tipo de necessidades, abasteça-se com 5 meses das suas compras mensais normais. Tenha atenção às validades.
Guarde um valor de 1 a 2 meses de orçamento
Guarde em dinheiro vivo algum valor consigo, ou dentro de casa, com os cuidados necessários, do montante equivalente a 2 meses de orçamento. Existem cenários mais complexos não contemplados e tendo estes valores consigo, será possível ter maior mobilidade financeira ao invés dos restantes.
Não mantenha muito dinheiro no banco
Até esta tempestade passar, eu sugeriria manter um valor mínimo no banco, à ordem ou mesmo em poupanças, correspondente a 1 ou 2 mensalidades de hipoteca, caso a tenha e 1 ou 2 mensalidade global de todos os utilitários e serviços que possui por débito directo. O restante, para além dos investimentos que decidiria fazer, deixaria um montante singelo em operações de depósitos renováveis de 2 em 2 meses, como sobreaviso — não se esqueça que tem guardado 2 meses de orçamento e uma dispensa cheia, pelo que creio estará bem resguardado.
Não arrisque em promessas de dinheiro fácil ou investimentos miraculosos

Não se deixe enganar!
Serve esta última situação como mais um alerta. Há um ditado que diz algo como: a fome faz sair o lobo do mato. Existem muitas maneiras de ganhar dinheiro fácil, mas essas maneiras foram engendradas com alguma dificuldade para ganhar dinheiro fácil dos pobres que nelas acreditam.
Esteja atento e prevenido. Olhe que quem o avisa, … bem já sabe, certo?
Espero que tenha gostado deste artigo. Mande-me um comentário, uma crítica, um abraço, o que seja. Eu agradeço.
Bons projectos.
Temas: Finanças, HowTo