As notí­cias não param de chegar — a relação entre o Euro e Por­tu­gal pode estar prestes a chegar ao fim. A saída de Por­tu­gal do Euro até pode ser boa no longo prazo — eu até iria mais longe e diria que dessa maneira con­seguiríamos recu­perar a nossa autono­mia finan­ceira como política. De qual­quer maneira, o curto prazo estaria, ou estará, direc­ta­mente rela­cionado à perda de capaci­dade finan­ceira e poder de com­pra dos por­tugue­ses, bem como numa atribu­lada mara­tona na buro­c­ra­cia por­tuguesa em nor­malizar a sociedade e as tro­cas económicas.

E o que pen­sam vocês irá acon­te­cer se e quando aban­don­ar­mos o Euro ?

Caso não sigam as notí­cias que têm surgido, estas são pre­ocu­pantes e vão na direcção deste problema:

Cenário de Desas­tre Económico

Espar­tanos pelo poço… E os lusitanos ?

Não há como saber se vamos mesmo aban­donar o Euro — e provavel­mente quando o sou­ber­mos será tarde demais. Uma sexta-feira à tarde, será dirigido um comu­ni­cado do Sr. Min­istro das Finanças, afir­mando que dev­ido à con­tin­u­ada crise económica, à pressão asfixi­ante dos mer­ca­dos finan­ceiros, à falha dos esforços por­tugue­ses na sua cred­i­bi­liza­ção junto dos mer­ca­dos finan­ceiros, às medi­das dra­co­ni­anas de aus­teri­dade imposta ao povo por­tuguês e ao recente semi-sucesso da Gré­cia em voltar ao dracma, a par­tir de segunda-feira, a moeda ofi­cial de Por­tu­gal será nova­mente o escudo. A par­tir do momento em que este comu­ni­cado é lido, toda a qual­quer caixa multi­banco estará desprovida de notas de euro, só repostas com notas de escudo a par­tir de segunda-feira.  Nesse fim de sem­ana, ocor­rerá uma cor­rida aos super e hiper­me­r­ca­dos, num delírio de con­sumo que será ante­ci­pado pelos mes­mos, aumen­tando os preços — mesmo que no futuro só iriam baixar — para não perder mais valias sobre pos­síveis alter­ações cambiais.

Irá exi­s­tir uma cor­rida aos ban­cos, na segunda-feira, só para ver­i­fi­carem que os val­ores em conta cor­rente são escu­dos e exi­s­tirá um tempo de adap­tação, que acred­ito uma sem­ana, para a nor­mal­iza­ção da aceitação do escudo e cerca de 2 a 3 meses para a mudança de pro­gra­mas contabilísticos.

Even­tu­ais desaires momen­tâ­neos serão um decréscimo no valor dos bens mon­etários por­tugue­ses, face ao euro,  uma vari­ação nos preços do con­sum­i­dor (eu arriscaria para cima — até a dis­tribuição nor­malizar e a relação procura/oferta deter­mi­nar o real preço do pro­duto) e até fal­has na dis­tribuição dev­ido aos prob­le­mas buro­cráti­cos da moeda e da atribuição de crédi­tos por parte das enti­dades bancárias.

 As min­has presunções

 

Econ­o­mista amador — um pouco bullish…

Acred­ito que os mais enten­di­dos poderão encon­trar out­ros prob­le­mas, mas estes, a meu ver, são os sufi­cientes para pen­sar em como me pre­caver de situ­ações como esta.

Com este cenário em muito — muitos dirão exces­si­va­mente pes­simista — encarreguei-me de elab­o­rar um plano para me pre­caver de pos­síveis com­pli­cações. Vou par­til­har con­vosco algu­mas das min­has recomen­dações, no sen­tido, quiçá, de angariar pos­síveis comen­tários e mel­ho­rias de quem esteja mais elucidado.

Devo realçar, antes de con­tin­uar, que não sou econ­o­mista, ou fis­cal­ista, ou tenho qual­quer exper­iên­cia de car­reira ou sim­i­lar na área. Sou ape­nas um curioso deste tema, como acred­ito que todos dev­e­riam ser para saberem o que fazer ao vosso dinheiro.

O que fazer então ? Pos­síveis alternativas!

Inve­stir na bolsa — Fun­dos de metais preciosos

 

Agora e sem­pre… El dorado.

Mesmo antes de a crise começar em 2008, eu lia com fre­quên­cia a newslet­ter bons inves­ti­men­tos (antes do site exi­s­tir), por André Ribeiro, e já na altura ele avisava da bolha do crédito sub-prime e da forte pre­sença que os metais pre­ciosos estavam a apre­sen­tar, ape­sar de uma maneira disc­reta (com certeza moti­vada por oper­ações covert de aquisição con­tin­u­ada pelos grandes — aqui entra a minha pequena teo­ria da conspiração!)

O rally do ouro e da prata tem sido con­stante estes últi­mos anos, e tor­nada bas­tante pública a par­tir de 2009, altura que sofreu um forte boom– nos últi­mos 2 anos subiu 100%. Com a grande insta­bil­i­dade a verificar-se nos mer­ca­dos de moeda, os metais pre­ciosos con­tin­uam a ser uma boa aposta na bolsa de valores.

Têm aqui um pequeno artigo da Reu­teurs que pode trans­mi­tir algum fun­da­mento a esta questão mas eu acon­selho a informarem-se mais, no caso de estarem inter­es­sa­dos: Gold, pre­cious met­als rally as dol­lar slips

Inve­stir no Imobiliário

Ape­sar de ser um inves­ti­mento caro, o imo­bil­iário está par­tic­u­lar­mente atrac­tivo. É pos­sível obter pro­priedades por val­ores obsce­na­mente baratos.

Inve­stir no imo­bil­iário, para quem pos­suir cap­i­tal, é um inves­ti­mento sem risco. Com a lib­er­al­iza­ção das ren­das, o mer­cado imo­bil­iário sat­u­rado de oferta e os ban­cos a despacharem imóveis a preços infe­ri­ores ao de custo, é uma alter­na­tiva a contas-poupança sem atrac­tivi­dade. Inde­pen­den­te­mente da saída do Euro, algo que não desval­oriza são pro­priedades, que rap­i­da­mente regan­ham o seu dev­ido valor no mercado.

Assim, se pen­sar no Imo­bil­iário, terá à sua dis­posição os dois tipos de mer­cado. Mas atenção que o tipo de inves­ti­mento mudou: neste momento, pensa-se no imo­bil­iário como rentabi­liza­ção do imóvel para o mer­cado de arren­da­mento nas grandes cidades, que aumen­tou imenso.

Ini­cial­mente, o arren­da­mento pro­por­ciona div­i­den­dos con­stantes a um valor de manutenção mín­imo. Dev­i­da­mente orga­ni­zado, é um pas­sivo com pos­si­bil­i­dade de acu­mu­lar riqueza nestes tem­pos de crise. À pos­te­ri­ori, pen­sando em 5/7 anos, quando a econo­mia se insu­flar nova­mente de liq­uidez e a procura de casa própria aumen­tar, o valor dos imóveis trará um bónus de riqueza que poderá trazer-lhe a reforma mais cedo.

Alguns links a com­pro­var esta teoria:

Inve­stir em Arte

Arte — para quem percebe!

Com os mer­ca­dos cam­bi­ais em com­pleta tur­bulên­cia, o mer­cado de cap­i­tais imerso em oscilações tem­pes­tu­osas todos os meios dias, os inves­ti­men­tos ante­ri­ores — dos metais, dos imóveis, da arte — gan­ham uma nova atractividade.

Pes­soal­mente é um mer­cado que pouco me atrai, dado não ter grande apetecên­cia por arte, con­fesso. No entanto, é sem­pre um mer­cado a explo­rar, por quem tem a per­cepção, a visão e o gosto de pos­suir obras de arte, tam­bém pelo seu valor intrínseco e subjectivo.

Tem tido muita procura, este mer­cado. Recordo-me recen­te­mente de vários leilões, um deles da Vista Ale­gre, e da ale­gria come­dida do renascer do mer­cado nos olhos do leiloeiro entrevistado.

Link: Arte é alter­na­tiva de inves­ti­mento em tem­pos de crise

Depósi­tos em Con­tas de Moeda estrangeira

Depósi­tos em moeda estrangeira — Franco Suiço, Coroa Sueca ou Norueguesa — é o que vale a pena.

Este tipo de depósi­tos já exis­tem há algum tempo, mas com a crise tornaram-se um serviço rel­a­ti­va­mente comum. O objec­tivo passa pela segu­rança de uma moeda mais forte segu­rar as nos­sas poupanças e, quando voltar­mos ao escudo, podemos reverter dessa moeda para o escudo.

O grande prob­lema é que perdemos din­heiro nas duas transacções — na pior das hipóte­ses. Se con­sti­tuirmos agora, por exem­plo, um depósito em Fran­cos Suiços, tec­ni­ca­mente o que ire­mos fazer é con­verter os nos­sos euros em fran­cos suiços, na esper­ança de asse­gu­rar um desas­tre de 20% de desval­oriza­ção no nosso din­heiro quando voltar­mos ao Escudo.

Na con­ver­são (com­pra da moeda) ire­mos perder din­heiro, dado que o valor de com­pra é sem­pre supe­rior ao valor de venda. No entanto, pode acon­te­cer que, face a todas estas notí­cias e se a Gré­cia sair do Euro, este fique frag­ilizado e o Franco suiço suba em relação ao Euro, e suba tam­bém a nível de rendi­men­tos das nos­sas poupanças, quando for­mos tro­car nova­mente. Pode acon­te­cer que este cenário não se con­cretize, ou que demore algum tempo e o Euro dê provas de resistên­cia, subindo em relação ao Franco Suiço — e perdemos algum din­heiro. Para além disso, quando e se voltar­mos ao Escudo, ter­e­mos de tro­car de Franco Suiço para o escudo.

Mas o impor­tante que temos de ter em conta é: se não o realizarmos, pas­samos de Euros para Escu­dos e 20% do nosso din­heiro perde-se na pas­sagem. E se isso acon­te­cer, 20% é muito mais do que quais­quer val­ores de tro­cas que poderíamos fazer em 2 oper­ações destas.

Link: Saiba se com­pensa inve­stir nos depósi­tos em moeda estrangeira

Recomen­dações

As min­has recomen­dações pes­soais para um pos­sível cenário estão abaixo. Não se esqueça que, o objec­tivo prin­ci­pal é preser­var o seu património, mesmo que isso sig­nifique perder um pouco na troca. Na pos­si­bil­i­dade exis­tente de perder 20% ou mais das suas poupanças, é tudo uma questão de risco — vale a pena arriscar já perder 5% na expec­ta­tiva de não arriscar perder 20% no futuro ? É uma opção sua.

Informe-se primeiro

Não sou finan­ceiro, nem econ­o­mista. Informe-se!

Está a ver­melho por ser um sinal de alerta. Informe-se primeiro, duas, três ou cinco vezes com várias pes­soas difer­entes, antes de agir. Certifique-se que percebe bem como fun­cionam as coisas. Se não perce­ber, peça para explicar nova­mente de maneira difer­ente. Se não estiver total­mente certo do que vai fazer, pro­cure outra pes­soa ou sim­ples­mente não invista nesse mer­cado. Esta recomen­dação é cru­cial para sequer pen­sar em mexer valores.

Diver­si­fique

Aproveite esta situ­ação para apren­der, o que já de si é bem empregue, tanto tempo como din­heiro. Diver­si­fique o seu património: imo­bil­iário, depósi­tos poupança, depósi­tos moeda estrangeira, arte, ou que pre­tender, mas não coloque tudo no mesmo saco. Se o saco tiver um furo, ou se se afun­dar, estão ali todas as suas econo­mias. Não é esse o objectivo.

Man­tenha a dis­pensa ape­trechada de ali­men­tos enlata­dos e pra­zos dilatados

Encha a despensa!

Se este cenário macro-económico acon­te­cer, irão tam­bém ocor­rer episó­dios como falta de ali­men­tos, falta de bens de con­sumo e subida inad­e­quada dos mes­mos. Para pre­venir este tipo de neces­si­dades, abasteça-se com 5 meses das suas com­pras men­sais nor­mais. Tenha atenção às validades.

Guarde um valor de 1 a 2 meses de orçamento

Guarde em din­heiro vivo algum valor con­sigo, ou den­tro de casa, com os cuida­dos necessários, do mon­tante equiv­a­lente a 2 meses de orça­mento. Exis­tem cenários mais com­plexos não con­tem­pla­dos e tendo estes val­ores con­sigo, será pos­sível ter maior mobil­i­dade finan­ceira ao invés dos restantes.

Não man­tenha muito din­heiro no banco

Até esta tem­pes­tade pas­sar, eu sug­eriria man­ter um valor mín­imo no banco, à ordem ou mesmo em poupanças, cor­re­spon­dente a 1 ou 2 men­sal­i­dades de hipoteca, caso a tenha e 1 ou 2 men­sal­i­dade global de todos os util­itários e serviços que pos­sui por débito directo. O restante, para além dos inves­ti­men­tos que decidiria fazer, deixaria um mon­tante sin­gelo em oper­ações de depósi­tos ren­ováveis de 2 em 2 meses, como sob­reav­iso — não se esqueça que tem guardado 2 meses de orça­mento e uma dis­pensa cheia, pelo que creio estará bem resguardado.

Não arrisque em promes­sas de din­heiro fácil ou inves­ti­men­tos miraculosos

Não se deixe enganar!

Serve esta última situ­ação como mais um alerta. Há um ditado que diz algo como: a fome faz sair o lobo do mato. Exis­tem muitas maneiras de gan­har din­heiro fácil, mas essas maneiras foram engen­dradas com alguma difi­cul­dade para gan­har din­heiro fácil dos pobres que nelas acreditam.

 

Esteja atento e pre­venido. Olhe que quem o avisa, … bem já sabe, certo?

Espero que tenha gostado deste artigo. Mande-me um comen­tário, uma crítica, um abraço, o que seja. Eu agradeço.

 

Bons pro­jec­tos.

3 comments
Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Olá Ricardo, Sim os exemplos que dei foi para perceber bens paralelos ... Não foram os melhores. De qualquer forma também não sou nenhum master nesta area diria até que sou muito novato ainda. Percebo muito pouco ... E ao ler isto por acaso abriu-me os olhos para outras coisas... Abraços, Jonathan

Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Olá Ricardo, Mando-te um abraço primeiro que nada ;). Segundo eu vi um documentario a uns tempos atrás na televisão (não foi a muito tempo atrás) o tema era a desvalorização da moeda. No programa deram o exemplo de uma tulipa que era bastante apreciada num país ( que já não me lembro ), esse país começou a investir bastante na flor, começando a aumentar bastante (IMENSO!) o preço da tulipa no programa dão a comparação que até chegou ao preço de uma habitação. Com o passar do tempo a bolha arrebentou, ninguém queria a flor, nem a queria comprar e toda gente queria vender. Moral da historia, que a crise que se está a passar neste momento é igual a flor da tulipa, ou seja há algum bem no seio da sociedade que toda gente valoriza imenso que toda gente quer-lo para depois vender. (Isto é uma teoria lançada no programa) O bem que eles falam supostamente é o Imobiliário! E o nome deste efeito da procura chama-se bolha de desejo ou bolha da procura (algo assim)... Não quero com isto dar alguma informação acrescida ao post. Isto acontece porque eu comprei a habitação X e virei-me para o Ricardo e disse "Ganhei mais 20 000 € do que tu" e o Ricardo (não me leves a mal usar o teu nome) com o ciúmes de querer ganhar o mesmo ou mais vai também comprar uma casa para depois vender e gabar-se a mim. E por aí fora...Isto torna-se uma bola de neve... Este é a teoria que eu defendo também quanto a crise. Quando a soluções, é investir em bens paralelos aos actuais. Por exemplo , Arte, Sofás, TV... São tudo bens que é preciso dentro da casa. Abraços, Jonathan

Ricardo
Ricardo

Viva Jonathan, Bem eu diria que não invistiria em sofás e tv's, dado que são bens que desvalorizam muito rapidamente. Os exemplos que dei implicam bens com os quais é costumário haver transacções comerciais e, embora o objectivo seja assegurar o valor das poupanças, pode existir a possibilidade de valorização. O meu conselho principal é: no caso deste cenário acontecer, não deixem que vos apanhe desprevenidos e percam de um dia para o outro 15 a 20% do total que têm poupado. Amanhã colocarei um post que explica a crise do capitalismo e como chegamos a este ponto com a bolha do crédito. Um abraço Ricardo Rocha