Por­tu­gal tem uma política muito desajus­tada face ao desem­prego e às ini­cia­ti­vas próprias. O Sis­tema Nacional de Saúde tem direc­ti­vas con­tra­ditórias em relação à per­spec­tiva de se ini­ciar num negó­cio. A par­tir do momento que decide ser sen­hor de si, está por sua conta, sem rede, sem nada que o possa impul­sionar no bom cam­inho. Se dese­jar accionar alguns serviços que lhe dão uma ou outra van­tagem, prepare-se para esperar muito tempo.

Assim, exis­tem algu­mas situ­ações legais, e não legais, que lhe podem dar alguma van­tagem sobre ser free­lancer e começar, aos poucos e com pouco, a tra­bal­har por sua conta em Por­tu­gal. Assim que esta­b­ele­cer um bom ritmo de tra­balho, pode então optar por out­ros enquadra­men­tos legais.

Estou empre­gado e não quero perder o meu emprego

Desde que o tra­balho que faz não seja con­cor­ren­cial à empresa onde está empre­gado, não tem prob­le­mas. Tem de con­cil­iar ambos e criar condições para não fal­har em questões de horários ou out­ros que estão definidos no seu con­trato de trabalho.

Nesta situ­ação, basta abrir activi­dade nas Finanças, uti­lizando o Por­tal das finanças e de lá pode pas­sar os seus reci­bos, não neces­sita ir à sua repartição.

Pode tam­bém, se preferir e ver­i­ficar que há aber­tura, fazer um con­trato de free­lanc­ing com a empresa onde está actual­mente empre­gado. Acred­ito que, raras excepções, eles não iriam con­tra o que propõe. Tem é de ter atenção que, segundo este molde:

  • não tem sub­sí­dio de férias;
  • não tem sub­sí­dio de natal;
  • não tem qual­quer sub­sí­dio de baixa;
  • não tem seguro de saúde;
  • não tem qual­quer ind­em­niza­ção face a despedimento;

Não pagar sub­sidios, nem segu­rança social e se não gostar, dis­pen­sar os seus serviços ? Parece bem!

Pode con­tem­plar algu­mas destas situ­ações den­tro do seu con­trato de free­lanc­ing, mas a minha aposta seria em que a sua margem nego­cial aumenta. Lembre-se é de nego­ciar os seus val­ores con­tem­p­lando tudo isto (ou pelo menos tendo em conta que vai perder tudo isto!).

Deixa de ter obri­ga­to­riedade de ter exclu­sivi­dade. Caso o seu empre­gador deseje incluir esta cláusula, não se esqueça que esta vale o seu peso em ouro.
No caso de não querer ser free­lancer e querer ser empresário, no sen­tido em que irá abrir sociedade por quo­tas, pode nego­ciar com o seu empre­gador um con­trato de prestação de serviços que englobe as suas actu­ais tare­fas. Tente nego­ciar que poderá ser outra pes­soa den­tro da sua empresa (um fun­cionário seu!) a fornecer esses serviços no caso de querer se lib­er­tar dessas tare­fas. Asse­gure, no entanto, que dis­põe, no novo molde, rendi­men­tos que paguem os salários, tendo em conta os impos­tos e todas as peque­nas nuances finan­ceiras que irão sur­gir — sugiro uma reunião com um téc­nico de con­tas para lhe explicar estas par­tic­u­lar­i­dades caso seja de seu interesse.

 

Acabei a Uni­ver­si­dade / Escola Téc­nica / Liceu e quero ini­ciar o meu próprio emprego

Fal­har enquanto pro­gride é a mel­hor aprendizagem.

Esta poderá ser a sua mel­hor opção, dado que a empre­ga­bil­i­dade em Por­tu­gal está muito escassa e muito barata. As opções não são muito difer­entes, emb­ora tenha em atenção que dis­põe de algu­mas aju­das para esta situ­ação SE estiver dis­posto a esperar por elas.

Se tiver a sorte de ter pais que o apoiam, dê-se 2 anos para apren­der a errar criando a sua própria empresa. Não lhe con­sigo explicar a mais-valia desta situ­ação — aproveitar que está ainda den­tro do ciclo de apren­diza­gem, esta é a mel­hor altura para errar tudo o que tem para errar, e apren­der sub­stan­cial­mente ainda com uma idade nova, o empreende­dorismo, que é algo que não ensi­nam com a fre­quên­cia que deviam nas nos­sas insti­tu­ições de ensino.

Provavel­mente já tem uma ideia do que pre­tende fazer quando acabar o curso, baseado na sua tese de final de curso ou em tra­bal­hos que tenha efec­tu­ado, ou até mesmo num está­gio que terminou.

Com os dados que pos­sui sobre a tese e o está­gio, pode elab­o­rar case stud­ies e trans­forme esses case stud­ies em pro­du­tos ou serviços que pode ofer­e­cer ao cliente.

 

Estou desem­pre­gado e não quero perder o meu subsídio

Desem­prego — Situ­ação insustentável

Este é o caso que surge com alguma fre­quên­cia. Pode, no sen­tido em que não está a ser total­mente trans­par­ente, pedir à sua esposa ou a um famil­iar para abrir activi­dade de reci­bos verdes por si e efec­tuar estes tra­bal­hos. Pode inclu­si­va­mente pedir-lhe um recibo de acto iso­lado para a total­i­dade do valor do tra­balho que está a efec­tuar — atenção que isto vale ape­nas para um recibo por ano e para um só cliente.

Tenha em conta que este enquadra­mento NÃO é legal, arrisca-se a perder o sub­sí­dio e a devolver men­sal­i­dades. Esta é uma “arti­manha” que se uti­liza para não perder a “rede” quando estiver a ini­ciar este novo meio de vida, até esta­b­ele­cer o seu ritmo sustentável.

Faça con­tas pre­vi­a­mente e valide o valor que tem de dar ao famil­iar para equi­li­brar o excesso que ele vai ter de pagar no irs.

Já tomei a minha decisão! E agora ?

Agora que sabe que quer o seu próprio emprego, tem de definir quais são os seus pro­du­tos e serviços a apre­sen­tar aos seus clientes.

Defina um plano de negócios

Defina o seu plano de negócios!

Crie o seu plano de negó­cios. Não o trans­forme num mapa pre­ciso de como irá con­duzir o seu negó­cio — irá ver­i­ficar que não se vai sus­ten­tar nos primeiros con­tac­tos com os seus clientes. O plano de negó­cios vai servir para vários propósitos:

  1. Irá servir como guia da sua empresa;
  2. Obrigá-lo-à a saber infor­mação sobre de tudo um pouco sobre o mundo empresarial;
  3. Obrigá-lo-à a perce­ber como e quanto irá gas­tar para gerir as suas operações;
  4. Obrigá-lo-à a ter uma visão tanto opti­mista como pes­simista das suas pre­visões de receitas;
  5. Terá um guia quan­tifi­cado, com números e pas­sos, do futuro do seu empreendimento;

Se ten­tar efec­tuar o plano de negó­cios soz­inho, provavel­mente encon­trará imen­sas difi­cul­dades. Neces­si­tará de ajuda para o realizar. As suas mel­hores hipóte­ses de a arran­jar serão as asso­ci­ações empre­sari­ais, o IAPMEI e as insti­tu­ições de empreeende­dorismo jovem.

Tente arran­jar um mentor

Ini­ciar o cam­inho das pedras — Mais fácil com um mentor.

Andar sobre um cam­inho de pedras, sobre um lago, é arriscado a não ser que tenha a mesma infor­mação de quem já lá tenha pas­sado. Por isso, acon­selho viva­mente a arran­jar um men­tor. Pode ten­tar encontrá-lo junto de con­heci­dos ou famil­iares. Mesmo nas insti­tu­ições acima, se con­seguir ligar-se a alguém em con­creto e essa pes­soa estiver dis­posta ajudá-lo é “ouro sobre azul” como se cos­tuma dizer.

Em última análise, con­tacte direc­ta­mente com o empresário com que mais se iden­ti­fica. Muitos agora já pos­suem face­book e twit­ter. Quem o pos­suir, deseja con­tac­tar e ligar-se com as pes­soas. Caso con­trário, não teria os mes­mos. Apresente-se de uma maneira for­mal e amigável e seja cortês — é um favor enorme pedir o tempo das out­ras pessoas.

 

 Mostre Profissionalismo

Crie uma mon­tra online — um site web que lhe per­mita mostrar aos seus poten­ci­ais clientes o que pode fazer por eles.

Uti­lize as recomen­dações dos seus pro­fes­sores, ex-colegas, ex-patrões, famil­iares, ami­gos e con­heci­dos como base de sus­tentabil­i­dade da sua prestação de serviços. Clientes ado­ram recomendações.

Crie tam­bém a sua marca. A sua imagem. Depois de a definir e se moti­var com ela, crie um esta­cionário: um enve­lope tim­brado, um cartão, um papel de carta, uma assi­natura no email — todas cos­tu­mizadas com a sua marca. Isso trará à super­fí­cie a sua per­son­al­i­dade e profissionalidade.

Procu­rar os seus clientes

Quando fizer a sua abor­dagem, não seja… urso.

Chegou a parte mais com­pli­cada para muitos, que é procu­rar clientes por si. Pro­cure todas as leads pos­síveis den­tro do seu cír­culo interno e não só. Não se esqueça de realçar as leads que poten­ciam a sua exper­iên­cia no momento, para que se torne mais con­fortável a reunião — já bem basta o ner­vo­sismo das primeiras reuniões, quanto mais não estar muito por den­tro do tra­balho em si. Após se encon­trar con­fortável, nas reuniões com os clientes, pode ten­tar abor­dar out­ros temas e pro­jec­tos nos quais não tenha tanto à-vontade.

Defina a sua proposta

Defina a sua pro­posta com cuidado para não ter prejuízo.

Sobre­viveu à reunião com o seu primeiro cliente sem lhe dar um colapso. Provavel­mente ver­i­fi­cou que não é tão mau assim. Provavel­mente até saiu com a promessa de gerar uma pro­posta para este novo projecto.

Na cri­ação da pro­posta, terá de ter em conta que tipo de pro­jecto se trata e se com­pensa criar uma avença ou um orça­mento. Con­tem­ple den­tro da pro­posta o valor real do seu tra­balho, tendo em atenção o seu valor de mer­cado actual — sem provas dadas e sem out­ros tra­bal­hos real­iza­dos, (ou seja, se estiver a começar agora), pense em realizar um desconto.

Con­seguir o primeiro projecto

Parabéns pelo seu primeiro pro­jecto! Não perca o fôlego agora e cuidado com out­ros com­pro­mis­sos — não vale a pena sobrecarregar-se com vários pro­jec­tos e depois não os con­seguir realizar: estará a queimar o seu nome no mercado.

Se chegar a essa fase, pense em del­e­gar tra­bal­hos via out­sourc­ing ou encon­trar out­ros free­lancers para poder exten­der os seus negó­cios — tenha cuidado e não se perca,  nem na micro­gestão, nem no pen­sa­mento que todos são profis­sion­ais e cumprem os seus deveres sem supervisão!

Tenha em atenção que não terá somente que criar esse pro­jecto: tem de con­quis­tar o seu cliente se dese­jar obter con­tinuidade nos tra­bal­hos.

 

Espero que estas dicas lhe ten­ham dado alter­na­ti­vas sobre como mel­hor começar e con­tin­uar a sua jor­nada. Se tiver questões, críti­cas, comen­tários, par­ticipem. É sem­pre bom saber que esta infor­mação é útil a alguém.

Bons pro­jec­tos!

Um abraço e tudo de bom,

0 comments