Um objec­tivo é uma coisa fan­tás­tica, como um pacote de fós­foros: ou acen­demos um antes que o outro se apague, ou o seu brilho acaba por ser dis­perso e esque­cido. Isso tem-me acon­te­cido com uma fre­quên­cia assom­brosa, como acred­ito que tenha acon­te­cido a tan­tos out­ros.
O mais impres­sio­n­ante é o facto que, ao esque­cerem o vosso objec­tivo, mas se o escreveram em algum lado, ao recor­dar mais tarde, ele parece que surge com um brilho ainda maior. E da-mo-nos a pen­sar: como raio fui eu largando isto ?

Mais situ­ação menos situ­ação, uns objec­tivos são fogo-fátuo, outro são quase iner­entes à própria pes­soa, à razão de ser. E esses últi­mos vamos per­dendo dev­ido à forte capaci­dade de erosão que a rotina tem sobre nós.

Mas como con­seguimos nós resi­s­tir a esta força que reduz os nos­sos son­hos a pó ?

Recen­te­mente, li um con­junto de arti­gos que me forçaram a repen­sar nisto, e a desco­brir uma estraté­gia, que colo­quei em prática.

Dado ter obtido alguns resul­ta­dos enco­ra­jadores, resolvi par­til­har a minha téc­nica actual para que, no futuro, con­sig­amos com­parar experiências.

Imag­inemos então, que decide hoje con­cretizar um objectivo.

Dado que este objec­tivo é pre­sum­ivel­mente inteligente (S.M.A.R.T.), vamos pen­sar que estrat­i­fi­cou e criou as eta­pas e definiu algu­mas mile­stones, ou seja, fez o seu tra­balho de casa.

Vamos então anal­isar a minha téc­nica e incorporá-la no seu objec­tivo e nas suas milestones.

1ª Mile­stone — Agora

Agora é a sua primeira mile­stone. Faça agora algo ou alguma tarefa, den­tro do seu con­junto de tare­fas, que o aprox­ime do seu objec­tivo. Esta é a mile­stone do com­pro­misso, a mile­stone do empenho e da paixão pelo seu objectivo.

Se não fizer nada agora, é mais do mesmo. É ape­nas dese­jar que acon­teça, ao invés do neces­si­tar IMENSO que acon­teça. No seu caso, se não fizer nada agora, talvez sim talvez não.

2ª Mile­stone — Hoje

Incor­po­rar duas mile­stones num mesmo dia no seu plano ou pro­jecto é obra, certo ? Pois é isso mesmo que tem de acon­te­cer. Se a primeira mile­stone é da paixão e do empenho, esta é a do sac­ri­fí­cio. Entre­tanto, ainda está muito fresco o seu objec­tivo e, na sua fase ini­cial, tem de gan­har ritmo.

3ª Mile­stone — Amanhã

Esta mile­stone indica-lhe que é pre­ciso fazer algo pelo seu objec­tivo todos os dias. Só assim ficará lig­ado con­stan­te­mente à neces­si­dade de empreen­der esforços para a con­cretiza­ção do seu objec­tivo. Todos os dias uma tarefa é impre­scindível para não perder o seu objec­tivo de vista.

4ª Mile­stone — Próx­imo Domingo

A grande maio­ria dos objec­tivos cai por terra no fim de sem­ana. Esmorece-lhes o dia de des­canso divino e acabam por deixar para amanhã a sua visão de con­cretiza­ção do objec­tivo. Se não realizar esta mile­stone hoje, diga-lhe adeus.

5ª Mile­stone — 21 dias depois

Já deve ter perce­bido o con­ceito de criar a real­i­dade do seu objec­tivo todos os dias. Então porquê uma mile­stone 21 dias depois ? Exis­tem estu­dos prova­dos que rev­e­lam que os hábitos de algo se esmore­cem ou se colam com 21 dias de con­stante batal­har no mesmo hábito. Logo, se 21 dias depois, todos os dias, estiver a realizar tare­fas conc­re­tas e men­su­ráveis na perseguição do seu objec­tivo, já deve ser definido que se tornou um hábito.

6ª Mile­stone — 90 dias depois

A mile­stone dos 90 dias é um marco extrema­mente impor­tante. É o marco da com­para­ção, onde podemos com­parar onde está­va­mos antes, e onde esta­mos agora. Após este dia, podemos já ter uma franca noção da nossa real­i­dade e do quanto já pro­gred­i­mos. É o chamado marco da afir­mação. É a certeza que vamos con­cretizar o nosso objectivo.

7ª Mile­stone — 1 ano depois

Não existe dúvi­das na minha mente que 1 ano depois, 365 dias a lutar todos os dias, nem que seja numa tarefa de 1 hora, ter­e­mos 365 horas de tare­fas tra­bal­hadas, o que implica 45 dias a tra­bal­har full time num objec­tivo (cerca de quase 2 meses!) que o objec­tivo vai ser mesmo con­cretizado e esta­mos na auto-estrada da con­cretiza­ção, na 6ª mudança.

Eu, pes­soal­mente, estou quase a atin­gir a 6ª mile­stone do meu objec­tivo com esta técnica.

Gostava de saber o que pen­sam, críti­cas con­stru­ti­vas reple­tas de exper­iên­cias que pos­sam com­pro­var, e out­ras ideias. Este é um tópico que me inter­essa muitíssimo.

Bons pro­jec­tos!

Um abraço e tudo de bom,

5 comments
Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Viva Ricardo, Secalhar não me expliquei muito bem, mas em linhas gerais, gosto de medir as milstone por objectivos. Só que há três pensamentos/patamares... Essas três patamares são as que falei em cima. Mas secalhar estou a confundir a mensagem geral do texto. Um dia explicarei melhor a minha filosofia de realização pessoal quando te conhecer pessoalmente. Estas coisas que estou a falar esta no livro "obliquidade" de John Kay, a mensagem do livro é como obter melhor resultado pensando e executando as coisas de uma maneira obliqua e não directa. Um bom livro... Abraços, Jonathan

Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Olá Ricardo, vou partilhar contigo a minha experiencia sobre este assunto, tenho três tipos de milestone. Dividindo-se desta maneira: - Milestone de nível do agora, do imediatado, do racional. Neste nível deixamos as emoções de parte, colocamos sempre três objectivos por dia, sem pensar no resultado final. Apenas executa! Aqui o senhor que esta a construir a igreja diz "Estou a colocar esta pedra aqui" - Milestone de nível médio, do onde queremos chegar, qual seria a posição que queremos chegar daqui a 3 meses. Neste nível o mesmo senhor diz "Estou acabar este muro". - Milestone de nível superior do emocional. Neste nível o senhor diz "Estou a construir uma obra para Deus". Neste nível é o que queremos com isto tudo. Nesta tecnica tu nunca chegas ao nível superior, porque dada altura entra em loop. Não sei se me fiz explicar mas é assim que eu penso. Abraços, Jonathan