Hoje em dia fala-se muito em criar o seu próprio emprego, ter o seu próprio negó­cio e ser freelancer.

Enquanto que estas 3 noções pare­cem ser asso­ci­adas, o facto é que não são e exis­tem fortes difer­enças entre elas. O facto de não se perce­ber essas difer­enças podem ditar a “morte do artista”, por assim dizer, e criar más exper­iên­cias para quem as está a vivenciar.

Para além disso, a situ­ação torna-se muito mais bicuda por estar­mos neste país à beira-mar plan­tado, onde temos de dar provas que somos inocentes de algo — dado que não existe ónus da dúvida :( — e onde a justiça para o comum mor­tal fun­ciona a mar­cha à ré e um passo rel­e­vante em falso leva-nos a con­hecer muito bem os cam­in­hos dos tri­bunais ou coimas que colo­cam em causa a nossa própria sobrevivência.

Dito isto, vamos asso­prar as nuvens negras para longe e expla­nar as difer­enças entre estas 3 situações.

Criar o seu próprio emprego

A cri­ação do próprio emprego pode implicar a aber­tura de activi­dade em nome indi­vid­ual ou uma sociedade por quo­tas, sendo o único sócio ou não, e no qual se insere como empre­gado, recebendo o seu venci­mento. São dois casos de regime fis­cal difer­ente, mas que ambos procu­ram definir um salário para si como empre­gado.
Em Por­tu­gal, a cri­ação do próprio emprego vem com muitas pecu­liari­dades fis­cais, no qual eu previno o acon­sel­hamento a um téc­nico de con­tas — pode pedir uma reunião com um TOC e pagar cerca de 15 a 20 euros para lhe poder explicar o que pode e não pode, o que deve e não deve fazer.

Um Free­lancer tec­ni­ca­mente terá de ter uma destas duas des­ig­nações — empresário em nome indi­vid­ual ou sociedade de respon­s­abil­i­dade lim­i­tada — mas cer­ta­mente nen­huma destas des­ig­nações define o Freelancer.

Criar o seu próprio negócio

Cer­ta­mente que a cri­ação do seu próprio negó­cio, qual­quer que ele seja, depreende que esteja sujeito à aber­tura de uma activi­dade, mas não implica que se despeça do seu actual emprego. Todavia, cuidado: a aber­tura de uma empresa, se empre­gado por conta de out­rém — se está actual­mente empre­gado — pode ser uma situ­ação com­pli­cada, se exi­s­tir ani­mosi­dade e se se provar que a sua nova empresa coloca em causa a sua prestação ou fizer con­cor­rên­cia com o seu empregador.

 Um elec­tricista de uma empresa que se preste a fazer insta­lação de painéis solares por sua própria conta está, de facto, a criar o seu próprio negó­cio e pode ter aberto uma activi­dade para­lela, sem para isso ser empresário em nome indi­vid­ual ou ter aberto uma empresa. E pode ser ou pode não ser um Freelancer.

Free­lanc­ing

O Free­lancer é o indi­ví­duo que se tra­balha como uma marca. Ele comercializa-se como tal, junto do mer­cado de tra­balho, para gan­har clientes e para criar um port­fo­lio. Esta definição de marca é muito impor­tante, pois ela actua como um imã que atrai, ou repele, os seus clientes.

O Free­lancer é, geral­mente, alguém com muito know-how da sua área, geral­mente um nicho especí­fico no mer­cado onde tra­balha, e procura tra­bal­har a sua marca para que esta fique muito bem cotada. É o nome da pes­soa que está em causa.

Alguém que abra um negó­cio con­certeza que está pre­ocu­pado a definir a sua marca e trabalha-la o mel­hor pos­sível, mas se cor­rer mal sem­pre se pode criar outra empresa, outro pro­duto, etc. A não ser que faça uma cirur­gia plás­tica e mude de iden­ti­dade, a marca do indi­ví­duo não con­segue ser recri­ada — e as primeiras impressões são extrema­mente importantes.

Para além disso, quanto mais pequeno for o nicho, mais difí­cil se torna elim­i­nar uma má imagem. E em Por­tu­gal, é tão fácil cair-se num poço sem fundo porque os mer­ca­dos são demasi­ado pequeninos.

 

No caso de se querer dedicar ao Free­lance, certifique-se que tem o estofo, no sen­tido de exper­iên­cia e ded­i­cação, para ser tra­bal­hado e moldado numa marca. Sem dúvida que não é uma tarefa impos­sível a quem está a começar no mer­cado de tra­balho, mas é muito muito mais difícil.

 

Bons pro­jec­tos!

Um abraço e tudo de bom,

5 comments
Joao Tavares
Joao Tavares

Olá Ricardo, este post já tem algum tempo, mas espero que me possas ajudar.Eu sou recem-licenciado na area de informatica, software/hardware, e gosto muito de programar, trabalho numa empresa.Nos tempos livres, gostava de aprender mais coisas, e estou interessado em fazer trabalhos freelancer com essa aprendizagem, mas nao tenho nenhuma ideia de como funciona este mundo, tu que tens experiencia, sabes as áreas ou linguagens no meu caso (PHP, HTML, JAVA, Python, Mobile,...) etc. que são mais requisitadas em freelancer? Aquela em que se tu fores bom arranjas sempre o que fazer. Existem imensas , estou muito confuso e não sei onde me focar a 100% para fazer trabalhos em freelancer.Muito obrigado, espero que me possas ajudar. Cumprimentos e obrigado pelo blog. 

Ricardo
Ricardo

Viva Jonathan, Claro que não me importo. Quem me dera a mim, quando comecei, ter um blog como este para me ajudar, porque sem um sistema de informação bem constituído, fiz muitas asneiras como empresário e como freelancer no passado. Agora que surgem oportunidades para muitos seguirem este caminho, não quero ver ninguém a espalhar-se ao comprido por falta de informação. Um abraço e bons projectos, Ricardo Rocha

Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Olá Ricardo, Eu gosto muito ler o teu blog por essa mesma razão, tu ( espero não te importes que te trate por tu) para mim es como um mentor dás boas dicas para não fazer asneiras. Os meus melhores cumprimento, Jonathan Fontes

Jonathan Fontes
Jonathan Fontes

Olá Ricardo, Como admirador do teu Blog, continuo a gostar muito o teu blog. De facto o nicho de trabalho é demasiado pequeno para as pessoas criarem o seu nicho . Cumprimentos, Jonathan Fontes

Ricardo
Ricardo

Viva Jonathan, Aprecio imenso os teus comentários. São os comentários que nos fazem dar mais de nós. Recentemente encontrei-me com uma situação que tive de ajudar a orientar porque infelizmente o nosso país não dispõe de mecanismos que ajudem quem quer empreender do nada. Pior ainda, um moço novo, com pouca experiência, acaba por aprender as duras lições da vida da pior maneira, quando tem de se aventurar por sua conta e risco, sem preparação e sem mentor. Algo que nos Estados Unidos têm com fartura é mentores e quem quer seguir e aprender não se importa de dedicar tempo (quando não é dinheiro!) para aprender com alguém que já dominou boa parte dos obstáculos. Aqui isso acontece a nível da criminalidade e na política, que não diferem muito pelo que ouvimos nas notícias todos os dias. Um abraço Ricardo Rocha