Há um con­ceito de pro­gra­mação chamada “fea­ture creep” — quando um pro­gra­mador con­tinua a adi­cionar fun­cional­i­dades sobre fun­cional­i­dades porque “seria por­reiro” e ” e porque não? ” e “não é fixe ? ” e “alguns uti­lizadores pedi­ram”. O resul­tado final é, na maior parte dos casos, um pro­grama obeso que tenta fazer tudo mas acaba por não ser grande coisa — e “chupa” todos os recur­sos do sis­tema, rebenta, ou tem uma inter­face com­pli­cada.
Fea­ture creep é algo ter­rível na pro­gra­mação e o seu con­ceito na vida real tam­bém é pés­simo. Todos a temos nas nos­sas vidas e faz parte do mundo mod­erno onde vivemos.

Pense, se con­seguir, na vida há 20 anos atrás — ninguém usava a Inter­net reg­u­lar­mente, e não exis­tia o MSN, ou Twit­ter, ou Face­book e o email era algo raro. Não havia os blogs ou out­ras com­pli­cações. O telemóvel era algo raro. Há 50 anos atrás, até a tele­visão era rara e pouco con­cen­trada. Não havia faxes, tv por cabo, máquinas de lavar, leitores de dvd ou cd. Não havia com­puta­dores pes­soais. Vá anal­isando, desse tempo pra cá, quan­tas coisas foram adi­cionadas à vida do homem moderno.

Se pen­sar quando começou a ser adulto, ver­i­fica que, na altura, não tinha nada — incluindo dívi­das e con­tas para pagar. Não tinha casa, nem mobília, nem carro ou mota, nem lista de afaz­eres. Nada. Não ter nada não parece nec­es­sari­a­mente como a vida ideal, mas… tinha um quadro em branco. Não tinha qual­quer tipo de fun­cional­i­dade, mas tam­bém não tinha nada que con­sumisse os seus recursos.

Se ainda se encon­tra neste estado, con­sidere este artigo como um aviso. Ainda vai a tempo de avaliar estas condições.

Aque­les que têm 10, 20 anos ou mais para além deste ponto sei que a vida não é assim tão sim­ples — o que per­faz a maio­ria de nós. A vida tende a adi­cionar por­menores à medida que avançamos, e à medida que eles saem para o mercado.

Agora temos toda a tec­nolo­gia da Inter­net men­cionada acima, mas há mais ainda. Temos toda a questão das dívi­das e todos os tipos de con­tas a pagar. Há cri­anças e todas as coisas que vêm com isso (uma incrível var­iedade de car­ac­terís­ti­cas, boas e más). Há mais respon­s­abil­i­dades e com­pro­mis­sos e uma agenda mais preenchida.

Nós não esta­mos abor­reci­dos, e temos mais meios, mais recur­sos e uma car­reira, provavel­mente. Mas esses recur­sos trazem muito mais: os encar­gos, os pesos nos ombros, um horário sobre­car­regado, e os con­fli­tos que podem levar a que­bras. Dores de cabeça que não pre­cisamos.
Mas há solução para esta “fea­ture creep” nas nos­sas vidas. Vamos sen­tar e pensar:

  1. Ini­ciar a par­tir de uma Tábua rasa;
  2. Somente adi­cionar aquilo que real­mente usamos e amamos;
  3. Lenta­mente, imple­men­tar a redução de las­tro da sua vida;
  4. Evite com­pro­mis­sos e out­ras situ­ações que levem a respon­s­abil­i­dades con­stantes e afazeres.

 

Na segunda parte vamos olhar para estas eta­pas e mostrar como podemos viver uma vida mais calma.

 

Um abraço e tudo de bom,

0 comments