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  • De volta ao básico – no pé da crise!

    Publicado em 2 de Dezembro de 2009 Ricardo Sem comentários

    Após quase 6 meses de atribulação, a minha vida pessoal levou uma volta grande: casamento, lua de mel, segunda lua de mel, projectos pessoais novos e mais um monte de situações.

    O tempo voa...

    O tempo voa...

    O acto de constituir família traz uma perspectiva diferente à nossa vida: de repente não se trata só de uma pessoa, ou de duas no caso de se desejar filhos. Trata-se de um conjunto de pessoas. Esse acto não só tem de ser equacionado a nível pessoal e social, psicológico mas também financeiro.

    Assim, no figurar de um novo panorama, obriga-me a reflectir sobre vários aspectos e que podem ajudar também a tirar algumas elações.

    Em outros tempos, não havia rendimentos mínimos, garantidos, ou subsídio de desemprego. Não havia assistência social. As pessoas estavam entregues à sua sorte. Nessa altura, vingavam os empresários em nome individual e as “empresas” familiares. O mercado da procura e da oferta era mais vigente e ditava as profissões.

    Se pensarmos que não havia  sindicatos nem organizações, cada profissional existia ( num determinado estrato e mercado e também a nível local) devido à necessidade que obrigava o mercado a procurar tal situação. A oportunidade surgia e, na face da necessidade, esse profissional teria mais ou menos sucesso, dependendo da sua qualidade e da competitividade existente no mercado.

    Não fazia sentido haver 3 padeiros, se o mercado só suportava clientela para 1 padeiro. Os outros dois, ou melhoravam a sua qualidade, ou baixavam os seus preços, ou deslocavam-se para outro local com mais procura, ou mudavam de profissão. Caso contrário, os 3 padeiros arriscavam-se a ter de baixar muito os seus preços e/ou a não ter mercado para as suas necessidades. Esta é a economia de mercado a funcionar. Raras eram as vezes que um artesão não passava a sua arte de pai para filho, dado que os seus descendentes gozavam da experiência do pai, dos erros por ele cometidos em novo, e poderiam, não só, cometer menos erros, como aprender os detalhes que, sem dúvida, aumentariam a sua qualidade.

    "Empresa" familiar...

    "Empresa" familiar...

    Na mesma altura, era comum que toda uma família ou núcleo familiar próximo se cingisse à mesma actividade: avôs, avós, pai, mãe e filhos – todos trabalhavam na mesma área ou até no mesmo mercado. Facilitava a troca comercial a nível de fornecimento de matéria prima e concentrava-se o know-how to ciclo de vida de um produto num círculo mais fechado. Também esta situação aumentava a qualidade e produtividade do núcleo “empresarial”.

    Hoje em dia, a quebra enorme no emprego de vários jovens recém licenciados, bem como do enorme número de desempregados por layoff, faz-nos questionar sobre as mais elementares regras do mercado:

    - Estaremos a apostar em áreas nas quais não existe procura ?

    - Será que os nossos jovens, hoje em dia, quando lhes é apresentado, demasiado cedo, aos 14 e 15 anos, as opções de via de ensino que as levarão à sua carreira profissional, estudam as aberturas de mercado e as vagas que possam existir num futuro a 5 anos a partir daquele dia ?

    - Será que os nossos profissionais de educação e de psicopedagogia, no caso de aconselhamento de carreira,  procuram estabelecer junto dos consultores macro-económicos, quais os mercados de procura ?

    - Será que os nossos profissionais de assistência social, nas entrevistas a recém desempregados, procuram descobrir nestes as suas valências, aptidões em conjunto com os seus interesses e procuram dar-lhes uma visão de mercado, bem como auxilia-los na carreira que mais poderá extrair deste profissional o máximo da sua produtividade ? Será que, assim que é empregue, é acompanhado pelos mesmos tais como os pais / mestres dos aprendizes há séculos atrás ?

    - Será que os nossos profissionais de assistência social não deveriam ter formação de consultores de carreira, de imagem, de motivação, como fariam os mestres dos aprendizes há séculos atrás ?

    Obviamente que as coisas não são tão fáceis ou simples de descrever como eu as faço, mas o significado está aqui contido: o mercado já não precisa de tantos profissionais e exclui-os. Estes, sem saber o que fazer, como fazer, porque sempre fizeram aquilo que fizeram, viram-se para os sindicatos e associações profissionais, que lhes interessa permanecerem intactos e viram-se contra os patrões e os empregadores.

    A economia sangra, e a única volta a dar, sem sombra de dúvida, é um refazer do sistema económico, perdurando os melhores profissionais em cada área e os excedentes voltarem as suas forças para novas áreas, ou novos nichos dentro dessas áreas – virarem empreendedores. Claro que para tal acontecer, não só têm de ser acompanhados como ajudados, não tanto a nível monetário, mas a nível de instrução – e é aqui que o governo, que tanta culpa tem nesta situação, ou mais, do que as restantes forças que manipulam o mercado a nível político-social, que tem de intervir. Não só a nível legislativo como a nível dos incentivos económicos. Mesmo não havendo dinheiro para tudo, há certamente dinheiro para estimular a economia, dando nova vida aos excedentes de mercado.

    Nichos - Procura quem melhor conheces - tu mesmo!

    Nichos - Procura quem melhor conheces - tu mesmo!

    Para onde ir, perguntam muitos ? A nível profissional, predominam os nichos. É a vantagem da globalização – especialização. Encontrem uma área, uma especialidade e um produto. Façam a pesquisa e encontrem um mercado. A partir desse pequeno mercado, o pensamento é expandir: local, nacional e internacional. Pensem em licenças, pensem em franchising.

    A economia tradicional está moribunda e a jovem economia já não é uma bebé – é uma adolescente a impor-se aos pais. É necessário conhecê-la. E urgentemente!

    Lá por casa, somos dois agora. Eu trato dos trabalhos de freelancing e ela trata da contabilidade e dos orçamentos. Arranjei um sócio na família, que também se casou este ano – ele trata da parte comercial e ela das relações públicas. Tudo em família. Alavancamos uns aos outros. Voltámos ao básico.

    Está a resultar!

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