Após quase 6 meses de atribu­lação, a minha vida pes­soal levou uma volta grande: casa­mento, lua de mel, segunda lua de mel, pro­jec­tos pes­soais novos e mais um monte de situações.

O tempo voa...

O tempo voa…

O acto de con­sti­tuir família traz uma per­spec­tiva difer­ente à nossa vida: de repente não se trata só de uma pes­soa, ou de duas no caso de se dese­jar fil­hos. Trata-se de um con­junto de pes­soas. Esse acto não só tem de ser equa­cionado a nível pes­soal e social, psi­cológico mas tam­bém financeiro.

Assim, no fig­u­rar de um novo panorama, obriga-me a reflec­tir sobre vários aspec­tos e que podem aju­dar tam­bém a tirar algu­mas elações.

Em out­ros tem­pos, não havia rendi­men­tos mín­i­mos, garan­ti­dos, ou sub­sí­dio de desem­prego. Não havia assistên­cia social. As pes­soas estavam entregues à sua sorte. Nessa altura, vin­gavam os empresários em nome indi­vid­ual e as “empre­sas” famil­iares. O mer­cado da procura e da oferta era mais vigente e ditava as profissões.

Se pen­sar­mos que não havia  sindi­catos nem orga­ni­za­ções, cada profis­sional exis­tia ( num deter­mi­nado estrato e mer­cado e tam­bém a nível local) dev­ido à neces­si­dade que obri­gava o mer­cado a procu­rar tal situ­ação. A opor­tu­nidade sur­gia e, na face da neces­si­dade, esse profis­sional teria mais ou menos sucesso, depen­dendo da sua qual­i­dade e da com­pet­i­tivi­dade exis­tente no mercado.

Não fazia sen­tido haver 3 padeiros, se o mer­cado só supor­tava clien­tela para 1 padeiro. Os out­ros dois, ou mel­ho­ravam a sua qual­i­dade, ou baix­avam os seus preços, ou deslocavam-se para outro local com mais procura, ou mudavam de profis­são. Caso con­trário, os 3 padeiros arriscavam-se a ter de baixar muito os seus preços e/ou a não ter mer­cado para as suas neces­si­dades. Esta é a econo­mia de mer­cado a fun­cionar. Raras eram as vezes que um artesão não pas­sava a sua arte de pai para filho, dado que os seus descen­dentes gozavam da exper­iên­cia do pai, dos erros por ele cometi­dos em novo, e pode­riam, não só, come­ter menos erros, como apren­der os detal­hes que, sem dúvida, aumen­tariam a sua qualidade.

"Empresa" familiar...

Empresa” famil­iar…

Na mesma altura, era comum que toda uma família ou núcleo famil­iar próx­imo se cingisse à mesma activi­dade: avôs, avós, pai, mãe e fil­hos — todos tra­bal­havam na mesma área ou até no mesmo mer­cado. Facil­i­tava a troca com­er­cial a nível de fornec­i­mento de matéria prima e concentrava-se o know-how to ciclo de vida de um pro­duto num cír­culo mais fechado. Tam­bém esta situ­ação aumen­tava a qual­i­dade e pro­du­tivi­dade do núcleo “empresarial”.

Hoje em dia, a que­bra enorme no emprego de vários jovens recém licen­ci­a­dos, bem como do enorme número de desem­pre­ga­dos por lay­off, faz-nos ques­tionar sobre as mais ele­mentares regras do mercado:

- Estare­mos a apos­tar em áreas nas quais não existe procura ?

- Será que os nos­sos jovens, hoje em dia, quando lhes é apre­sen­tado, demasi­ado cedo, aos 14 e 15 anos, as opções de via de ensino que as levarão à sua car­reira profis­sional, estu­dam as aber­turas de mer­cado e as vagas que pos­sam exi­s­tir num futuro a 5 anos a par­tir daquele dia ?

- Será que os nos­sos profis­sion­ais de edu­cação e de psi­cope­d­a­gogia, no caso de acon­sel­hamento de car­reira,  procu­ram esta­b­ele­cer junto dos con­sul­tores macro-económicos, quais os mer­ca­dos de procura ?

- Será que os nos­sos profis­sion­ais de assistên­cia social, nas entre­vis­tas a recém desem­pre­ga­dos, procu­ram desco­brir nestes as suas valên­cias, aptidões em con­junto com os seus inter­esses e procu­ram dar-lhes uma visão de mer­cado, bem como auxilia-los na car­reira que mais poderá extrair deste profis­sional o máx­imo da sua pro­du­tivi­dade ? Será que, assim que é empregue, é acom­pan­hado pelos mes­mos tais como os pais / mestres dos apren­dizes há sécu­los atrás ?

- Será que os nos­sos profis­sion­ais de assistên­cia social não dev­e­riam ter for­mação de con­sul­tores de car­reira, de imagem, de moti­vação, como fariam os mestres dos apren­dizes há sécu­los atrás ?

Obvi­a­mente que as coisas não são tão fáceis ou sim­ples de descr­ever como eu as faço, mas o sig­nifi­cado está aqui con­tido: o mer­cado já não pre­cisa de tan­tos profis­sion­ais e exclui-os. Estes, sem saber o que fazer, como fazer, porque sem­pre fiz­eram aquilo que fiz­eram, viram-se para os sindi­catos e asso­ci­ações profis­sion­ais, que lhes inter­essa per­manecerem intac­tos e viram-se con­tra os patrões e os empregadores.

A econo­mia san­gra, e a única volta a dar, sem som­bra de dúvida, é um refazer do sis­tema económico, per­du­rando os mel­hores profis­sion­ais em cada área e os exce­dentes voltarem as suas forças para novas áreas, ou novos nichos den­tro dessas áreas — virarem empreende­dores. Claro que para tal acon­te­cer, não só têm de ser acom­pan­hados como aju­da­dos, não tanto a nível mon­etário, mas a nível de instrução — e é aqui que o gov­erno, que tanta culpa tem nesta situ­ação, ou mais, do que as restantes forças que manip­u­lam o mer­cado a nível político-social, que tem de inter­vir. Não só a nível leg­isla­tivo como a nível dos incen­tivos económi­cos. Mesmo não havendo din­heiro para tudo, há cer­ta­mente din­heiro para estim­u­lar a econo­mia, dando nova vida aos exce­dentes de mercado.

Nichos - Procura quem melhor conheces - tu mesmo!

Nichos — Procura quem mel­hor con­heces — tu mesmo!

Para onde ir, per­gun­tam muitos ? A nível profis­sional, pre­dom­i­nam os nichos. É a van­tagem da glob­al­iza­ção — espe­cial­iza­ção. Encon­trem uma área, uma espe­cial­i­dade e um pro­duto. Façam a pesquisa e encon­trem um mer­cado. A par­tir desse pequeno mer­cado, o pen­sa­mento é expandir: local, nacional e inter­na­cional. Pensem em licenças, pensem em franchising.

A econo­mia tradi­cional está mori­bunda e a jovem econo­mia já não é uma bebé — é uma ado­les­cente a impor-se aos pais. É necessário conhecê-la. E urgentemente!

Lá por casa, somos dois agora. Eu trato dos tra­bal­hos de free­lanc­ing e ela trata da con­tabil­i­dade e dos orça­men­tos. Arran­jei um sócio na família, que tam­bém se casou este ano — ele trata da parte com­er­cial e ela das relações públi­cas. Tudo em família. Ala­van­camos uns aos out­ros. Voltá­mos ao básico.

Está a resultar!

Um abraço e tudo de bom,

0 comments