Quem mexeu no meu dinheiro ?
Recentemente vivi uma experiência nada agradável, e menos agradável se torna quando todos os efeitos se conjugam para nos entalar à parede: esperávamos mais dinheiro do que efectivamente vamos receber e, do valor que vamos receber, endividamo-nos no efeito de atingir objectivos e agora estamos entre a espada e a parede. Como sair de uma situação deste género ?
Isto é recorrente. Estas situações em cima são originárias de uma presunção de que iremos receber um determinado valor e tomamos isso como garantido. E actuamos no sentido do quanto teremos no final de um x período de tempo.
É neste pensamento que reside o perigo, e a consequência de milhares de famílias portuguesas por esse país fora e que agora se vêem confrontadas com situações de insolvência familiar. E não é porque são pessoas burras ou com falta de disciplina orçamental, mas sim porque sim porque foram condicionadas a um tipo de gestão financeira que é pouco literada.
Independentemente do passado, temos agora uma situação: o que fazer, agora que não vou receber aquilo que estava à espera e vou ficar em dívida ?
O primeiro passo é, naturalmente, saber a natureza da dívida. Se for um caso de fácil resolução, certo é que não necessitará de tudo isto. Se, no entanto, for um pouco mais complicado, teremos naturalmente de pegar num papel e lápis e começar por fazer contas.
Teremos inicialmente de analisar o nosso orçamento anterior e o actual. Se não havia orçamento, ou se estava habituado a gastar tudo o que tinha, faça o orçamento anterior para o seu salário anterior, ou mesada, ou etc. Faça o seu orçamento actual para o salário que detém a partir de agora. Se a diferença for acima dos 30%, eu diria que estamos perante um caso grave.
Para grandes males, grandes remédios. Faça uma lista das suas despesas. Vasculhe as suas contas, os seus recibos, os seus talões, tudo e crie a sua lista de despesas mensal. Agora que já tem a sua lista de despesas, classifique-as dentro das seguintes categorias:
- Indispensável — As despesas de comida, conta da água, luz e gás, a hipoteca da casa, seguro da casa e de saúde, despesas de saúde em tratamento, etc, aquilo que é fundamentalmente indispensável à sua sobrevivência;
- Necessário — Poupanças, despesas com viaturas pessoais, telemóveis, telefone, tvcabo, doces e bolachas, ATL e creche, ginásio,etc, as despesas necessárias mas não são indispensáveis;
- Luxo — Despesas com hobbies, refeições fora, roupa nova, férias, etc, tudo o que é luxo e que pode ser adiado ou cancelado;
Comece de baixo para cima a avaliar o que pode ser eliminado, com o objectivo de chegar ao valor mensal estipulado pelo seu orçamento actual.
No meu caso é apenas temporário (felizmente) mas é um sinal de alerta, nos tempos que correm, que as vacas gordas também estão a fazer exercício.
Bons projectos!
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