Cuidado com as grandes negociatas!

Se há algo que me abor­rece solen­e­mente é tra­bal­har para aque­cer. Já tenho tanta activi­dade onde gas­tar o meu tempo, porque raio irei eu de gastá-lo a tra­bal­har! Espe­cial­mente em algo que não é meu! Ainda pior se for para um cliente, pseudo-cliente ou afins.

Esta história acon­te­ceu comigo e desacon­selho a toda a gente free­lancer, mesmo.

Ora estou a falar de chulices negó­cios muito arrisca­dos. Eis o que aconteceu!

Foi-me pro­posto um negó­cio à volta de um site com­plexo, com impli­cações mundi­ais, aos quais eu, como free­lancer, rece­be­ria uma per­cent­agem mín­ima assim que o site começasse a fac­turar. Essa per­cent­agem mín­ima, segundo os val­ores pro­jec­ta­dos, rep­re­sen­tavam uns quan­tos mil­hões de euros, e as con­tas pare­ciam real­mente muito bem feitas.

Quem me propôs era uma pes­soa muito culta, bem colo­cada, que sabia movi­men­tar números e palavras e sem dúvida tinha o dom de colo­car o brilho do ouro nos meus olhos. O meu tra­balho seria trazer um site de 1990, uma década e meia no futuro, man­tendo as fun­cional­i­dades mas dando-lhe o brilho.

Se não tivesse cego pelos números, teria perce­bido indí­cios de que algo não estaria correcto:

  1. Não fui a primeira pes­soa a pegar no site, logo alguém já teria desis­tido da elab­o­ração do mesmo;
  2. O site nunca foi para o ar, no efec­tivo, e na altura já se encon­trava funcional.
  3. Havia uma inde­cisão sobre o que se pre­tendia fazer para o lança­mento e desejava-se este PERFEITO.

Para quem se encon­tra neste meio de desen­volvi­mento WEB, é impor­tante saber (ou relem­brar) que nen­hum site vai per­feito para a inter­net, assim como nen­hum profis­sional faz as coisas bem desde o íni­cio. Muito pelo con­trário, é dese­jável que se obten­ham feed­back de erros e críti­cas para se poder mel­ho­rar a passo e passo.

Zero

Lucro reti­rado da negociata!

Três anos volvi­dos, e várias apre­sen­tações, alter­ações, con­fusões e out­ras palavras acabadas em ões, aban­donei o pro­jecto face à resistên­cia de colo­cação no ar, e sem qual­quer tipo de hon­orários. É que a minha “parce­ria” era tão dimin­uta que, ao forçar a colo­cação do site no ar, fui desautor­izado, apon­tando pre­cisa­mente a minha par­tic­i­pação infíma.

A lição que retirei deste erro crasso foi:

Ter em conta os indí­cios pos­te­ri­ores aquando se pegar num pro­jecto já desen­volvido!

Para uma parce­ria ser viável, asse­gu­rar que esta cor­re­sponde a uma par­tic­i­pação sig­ni­fica­tiva, caso con­trário, assumir que vou ser descar­tado.

Mesmo com a parce­ria em cima da mesa, asse­gu­rar condições finan­ceiras ren­táveis para a resistên­cia de con­clusão do pro­jecto de acordo com o definido no iní­cio.

e por fim

Quando a esmola é muita, descon­fie sem­pre dos motivos!

Um abraço e tudo de bom,

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