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HowTo: Quanto vales por Hora ?
Publicado em 16 de Maio de 2009 4 comentários
Sendo um freelancer novo ou experiente, a realidade é que provavelmente não sabe quanto deve valer por hora. Já pensou que provavelmente estará a sair prejudicado de um negócio, na maioria das vezes ? Ou se está agora a começar, não seria interessante saber o quanto deveria cobrar pelo seu tempo ?E quando o seu cliente pergunta porque está a pagar tão caro? Ou tão barato (por acaso isso nunca perguntam!)?
Este problema agrava-se substancialmente quando o cliente sabe que ele próprio recebe cerca de 40€ por hora e nós estamos a cobrar 60€ por hora, e muitas vezes sente-se roubado. A verdade é que seguindo umas contas concretas, o cliente é bem capaz de estar a ganhar mais que o freelancer.
Tem de existir uma medida para equacionar o valor base horário a partir do qual existe uma noção concreta do valor do nosso trabalho, para depois podermos negociar.
Passado e Presente
Ora vejamos, se eu, um freelancer, fazia cerca de 40.000€ no emprego anterior, é natural que seja essa a minha base de referência quando passo a ser freelancer. O problema são as condições diferentes entre uma posição e outra.
Acima dos 40.000€, agora temos de colocar os cerca de 58% ( entre os 23,75% da Segurança Social pagos pelo patrão, os 18%/23% de retenção do IRS (para nenhum ou 1 dependente, casado um titular / para não casado ou casado dois titulares nas mesmas condições) e os 11% pagos pelo empregado) que o Estado consume.

Ora fazendo as contas temos 40.000×1.58 = 63.200€. Porém, temos de nos lembrar dos seguros de acidentes pessoais e de vida, que são pagos pela empresa onde trabalhávamos e agora temos de pagar nós. Temos de nos lembrar de nos pagarmos férias e incluir esse valor nos nossos honorários. Temos de nos lembrar de todas as despesas que podemos ter relacionados com o trabalho de freelancer, entre eles algumas refeições fora, despesas de gasolina e telemóvel, etc.
Assim, fazendo as contas por alto:
- Seguros – 100€/mês
- Férias – 3.000€
- Despesas genéricas – 300€/mês
Facilmente chegamos à conclusão que o nosso rendimento concreto estará mais próximo dos 72.000€.
Agora já podemos calcular o nosso valor horário. Mas primeiro que isso, nenhum freelancer consegue vender, facturar os seus clientes e implementar projectos os 20 dias de cada mês.
Actividade Dias por mês Administrativa 3 Vendas 4 Férias e Feriados 2 Aprendizagem 1 Total de dias não facturado 10 O melhor que ele pode fazer se ele for mesmo muito bem sucedido é facturar 10 dias do seu tempo em cada mês.
Contas de Sumir
Assumindo 10 dias facturáveis em cada mês, precisamos dos seguintes valores horários para fazer um valor bruto de 40.000€ SEM DESCONTOS nem qualquer tipo de despesas impostas pela actividade.
Valor Mensal: 40.000€/12 meses = 3.333,33€
Valor Diário: 3.333€/10 dias = 333,33€
Valor Horário: 333,3€/8 horas = 41,67€/horaPor 41,67€/hora, estou a receber muito menos do que recebia quando era um empregado full-time. Se quiser realmente igualar o meu salário anterior, tendo em conta os descontos, para um total bruto de 72.000€, o valor horário terá de ser o seguinte:
Valor Mensal: 72.000€/12 meses = 6.000,00€
Valor Diário: 6.000€/10 dias = 600,00€
Valor Horário: 600€/8 horas = 75,00€/horaCom 75€/hora, não posso dar-me ao luxo de facturar menos de 120 dias do meu tempo por ano, o que é muito complicado de efectuar.

Conclusões
O verdadeiro desafio está em descobrir como manter o trabalho a fluir com regularidade de modo a conseguir a média de facturação de 10 dias/mês. Para além disto, ter de manter um valor horário com base nas minhas capacidades e nível de experiência.
Eu pessoalmente não conheço muita gente a fazer este tipo de cálculos, e é normal compensar trabalhos cobrando mais e outros cobrando menos, e manipular a dificuldade de ambos. Por isso na maioria dos casos, estima-se o projecto por inteiro, a nivel de horas e tentamos garantir ter as horas sobre controlo.
Este artigo não deixa de ser um bom exercício de raciocínio que faz pensar nos preços que praticamos e nas situações que muitas vezes nos colocamos face a certos projectos.
Gostava de saber se tem uma abordagem diferente a este panorama. Diga-me como calcula o seu valor horário e, se por contrário, for um comprador / cliente, como avaliou o valor do trabalho que adquiriu de um freelancer ?
Nota: Este artigo é um desenvolvimento obtido do artigo de Ted Grigg. Blog Ted Grigg's Reflections about Direct Marketing.
4 responses to “HowTo: Quanto vales por Hora ?”

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Olá Ricardo, acho o teu Blog bastante interessante porem, acho que no que diz respeito a este artigo, sinto que o valor hora ideal não será como descreves o valor que cada um de nós acha ser, perante o nivel de vida de cada um (tendo em conta as despesas, etc como descreves em outros posts), mas sim o valor ideal para o cliente.
Como freelancer também sei que gostaria por vezes ganhar mais aqui ou ali em determinados projectos. No entanto, sei também que um mau orçamento (valor hora exagerado) significa perda de trabalho e consequentemente perda de futuros projectos.
A minha visão sobre este assunto é uma visão que assenta mais numa toada de continuidade. Não me importo por vezes fazer um valor hora inferior sabendo que isso poderá me trazer mais trabalho no futuro. Por isso acredito que o valor hora será um valor que se ajusta muitop mais ao cliente do que nós próprios (obviamente sem nos auto-exploramos)
Bom trabalho! =) -
Alcino Jorge 15 de Fevereiro de 2010 às 06:48
Olá Ricardo,
Muitos parabéns com o trabalho que tens feito com o teu blog!
Tenho de concordar com o Pedro aqui.
Já reparei que em Portugal (só vivo cá há 7 anos) é bastante comum as pessoas associarem o valor daquilo que possuem (seja isto um bem ou uma capacidade para realizar um serviço) ao custo que tiveram com a sua produção ou realização.
No entanto, custo de produção/realização e Valor (de mercado ou para o cliente) são 2 conceitos bastante distintos.
Custo de produção/realização é resultado da contabilização analítica que se faz dos meios financeiros em que se incorre para atingir os objectivos (um bem ou serviço).
Valor normalmente é determinado pelo mercado e a não ser que um freelancer (por exemplo) seja forte monopólio na sua área, pouco conseguiria influenciar isto no curtíssimo prazo.
Embora isto não seja um exemplo “perfeito” para metaforizar os conceitos mencionados em cima, estou a lembrar-me duma história curta e muito fácil de contar que penso que poderia evidenciar a verdade da relação entre esses conceitos:
A história é sobre uma senhora que conheci cá há uns anos, que tinha um prédio rústico que estava a tentar vender por 90.000 Euros (pois era este o valor do restante da dívida que a senhora tinha contraído com o banco quando comprou o prédio). Não estando disposta a baixar o valor que ela estava a pedir, a senhora durante os próximos 3 anos nunca conseguiu livrar-se do terreno. Considerando que o valor de mercado do prédio rondava os 50.000 Euros na altura, esta situação tornou-se bastante absurda nos olhos de quem soube do caso.
O custo de produção de um bem ou da realização de um determinado serviço é um factor importantíssimo a estudar aquando da elaboração de um plano de negócios.
No entanto, este factor serve apenas para determinar a viabilidade de um determinado modelo de negócio…
Isto é:
Se consegues produzir um bem ou realizar um serviço por um preço inferior ao valor de venda do mercado desse bem/serviço, já existe uma indicação positiva da viabilidade dos teus planos (quanto mais baixo os teus custos forem, em relação ao valor do mercado, mais positivo é a indicação).
No entanto, se encontrares que os teus custos não forem abaixo daquilo que é o preço do mercado, ou se a maioria da tua concorrência ainda conseguir produzir com custos muito mais baixos que os teus, estes seriam fortes indicações para não avançares (no último caso seria porque a capacidade financeira dos teus concorrentes mais provavelmente seria utilizada para te eliminar do mercado. No primeiro caso continua a haver lugar a viabilidade, mas isto exigia uma estratégia inteligente no que toca aos 4P’s de marketing).
Só para acrescentar uma pouco de introspecção académica aqui, achei de interesse mencionar que no estudo de Estratégia e Planeamento Empresarial frequentemente se fala de empreendedores que, em vez de estudarem a viablidade daquilo que (no coração) querem fazer, vão à procura dos modelos de negócio que têm viabilidades inerentes à partida, e avançam com investimentos apenas nesses.
O paradigma que induz à associação dos custos incorridos (ou receitas desejadas) com o valor de algo ainda é um fenómeno muito comum em Portugal… E é um dos muitos factores que contribuem para que Portugal não esteja a ter sucesso ou inovação empresarial (no geral) comparável com o resto do mundo desenvolvido ou até certas regiões do terceiro mundo.
Contudo, creio ainda que isto seja apenas oportunidade e espaço para aqueles que reparem nessas imperfeições fazerem uma revolução no mercado português.
Espero apenas ter acrescentado uma introspecção com efeitos positivos no teu blog Ricardo e desejo-te muita força e sucesso com a evolução futura do mesmo!
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Pedro 18 de Maio de 2009 às 17:48